As investigações sobre a morte do cão Orelha sofreram uma reviravolta após a divulgação de novos laudos periciais apresentados pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). No parecer encaminhado à Justiça, o órgão afirma que as evidências reunidas “não permitem estabelecer, com segurança jurídica, vínculo direto entre os investigados e a morte do animal”.
Segundo o órgão, os relatórios da investigação policial sustentavam que o adolescente apontado como responsável pela agressão e o cão teriam permanecido simultaneamente na praia por cerca de 40 minutos. No entanto, a reconstituição da linha do tempo evidenciou uma defasagem de aproximadamente 30 minutos entre os horários registrados.
Além disso, foi verificado que, enquanto o adolescente esteve nas imediações do deck, o cão se encontrava a cerca de 600 metros de distância. A conclusão é a de que não há registros que comprovem a presença do animal na orla da Praia Brava, conforme relataram as testemunhas ouvidas ao longo da investigação.
Outro ponto destacado pelo MP é o laudo pericial elaborado por um perito veterinário a partir da exumação do corpo do cão Orelha, que afasta a hipótese de traumatismo recente compatível com maus-tratos. A análise minuciosa dos ossos do animal constatou a ausência de qualquer fratura ou lesão compatível com ação humana. Também foram identificados sinais de osteomielite na região maxilar esquerda, uma infecção óssea grave e crônica associada a doenças periodontais avançadas.
Segundo as autoridades, a avaliação conjunta dessas provas foi determinante para afastar a hipótese de maus-tratos e compreender o real quadro clínico do animal, que resultou em sua morte por meio de procedimento de eutanásia.
Caso Orelha
O caso ganhou repercussão após vídeos e relatos compartilhados nas redes sociais indicarem que o animal teria sido vítima de agressões violentas praticadas por adolescentes em Santa Catarina. A comoção provocou manifestações de ativistas, campanhas virtuais e cobranças públicas por punições exemplares. Em poucos dias, o episódio se transformou em um dos assuntos mais comentados do país.
Diante da pressão popular, a Polícia Civil apreendeu celulares, ouviu testemunhas e reuniu imagens de câmeras de segurança para reconstruir a dinâmica do caso. O Ministério Público criou uma força-tarefa para revisar o material produzido ao longo da investigação, incluindo laudos veterinários, registros audiovisuais e perícias digitais.
