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Comandantes da Polícia Rodoviária da Flórida são presos por fraude em esquema de patrulhamento

O caso gira em torno do chamado off-duty employment, que permite aos policiais prestarem serviços de segurança privada fora do expediente

Os policiais eram contratados para reforçar o patrulhamento, monitorando o excesso de velocidade e a circulação irregular de caminhões em áreas residenciais (Foto: Reprodução redes sociais)
Os policiais eram contratados para reforçar o patrulhamento, monitorando o excesso de velocidade e a circulação irregular de caminhões em áreas residenciais (Foto: Reprodução redes sociais)

A capitã Lenita King, de 63 anos, e o policial Maurice Vilsaint, de 42, da Florida Highway Patrol (FHP), foram presos após uma investigação conduzida pelo Florida Department of Highway Safety and Motor Vehicles. Ambos são acusados de receber pagamentos por turnos de patrulhamento no ChampionsGate Community Development District, no Condado de Osceola, que não teriam sido realizados. A remuneração chegava a $ 65 por hora, acrescida de valores referentes ao deslocamento entre a base operacional e o condomínio. Após as detenções, os dois foram demitidos da corporação.

O caso gira em torno do chamado off-duty employment, modalidade que permite a policiais prestar serviços de segurança para empresas, condomínios e entidades privadas fora do expediente, utilizando uniforme e viaturas oficiais. Para isso, é necessária autorização da corporação.

As denúncias incluem fraude, furto qualificado, falsificação de documentos públicos e adulteração de registros oficiais. Os valores envolvidos somam pouco menos de $ 19 mil, mas a continuidade das investigações poderá identificar outros agentes que atuavam no mesmo sistema de contratação para serviços extras.

Responsável pelo distrito que cobre a região de Orlando, a capitã recebeu por 76 horas de trabalho, mas os registros de localização mostram que permaneceu pouco mais de 12 horas no condomínio durante todo o período analisado. Os investigadores estimam que King tenha cobrado indevidamente cerca de $ 3,5 mil, dos quais aproximadamente $ 2,6 mil chegaram a ser pagos antes que novas transferências fossem bloqueadas.

Além disso, os relatórios operacionais indicam que, durante os dias em que realmente trabalhou, a comandante registrou uma autuação e quatro advertências de trânsito. Já nos dias em que, segundo a investigação, não compareceu ao local, nenhuma atividade policial foi registrada.

Vilsaint, por sua vez, é acusado de faturar 60 dias de patrulhamento inexistente entre outubro de 2025 e abril de 2026, recebendo aproximadamente US$ 15,3 mil. A investigação concluiu que, em diversos dias pelos quais recebeu pagamento, o policial trabalhava para a própria Florida Highway Patrol em outras localidades. Em outras datas, estava em viagens internacionais, enquanto as planilhas indicavam a prestação de serviços nas ruas da comunidade da Flórida Central.

Segundo os investigadores, ele utilizou uma empresa criada em 2023 para receber diretamente os pagamentos do condomínio e omitia da Florida Highway Patrol os períodos em que registrava as cobranças referentes ao ChampionsGate.

Falhas de controle

Diferentemente de muitas polícias municipais e departamentos de xerife da Flórida, cujos pagamentos por serviços extras costumam ser administrados pela própria corporação, na FHP os valores podem ser recebidos diretamente pelos policiais, por intermédio de empresas privadas constituídas pelos próprios agentes. Segundo os investigadores, esse modelo de pagamento direto criou brechas que facilitaram as fraudes.

A suspeita surgiu após denúncias internas. Para verificar as informações, investigadores instalaram rastreadores de GPS nas viaturas utilizadas pelos suspeitos. De acordo com a apuração, Vilsaint chegou a desligar o sistema de rastreamento da viatura oficial para dificultar sua localização. Os dados foram cruzados com folhas de pagamento, despachos de rádio, relatórios operacionais e registros administrativos. O resultado revelou um padrão de incompatibilidades entre as horas cobradas e a presença efetiva dos dois agentes no local.

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