Imigração

ICE prepara compra milionária de luvas que podem dar choques durante abordagens

Agência pretende investir entre US$ 10 milhões e US$ 20 milhões em equipamentos para conter pessoas que resistirem fisicamente durante prisões

Luvas G.L.O.V.E. possuem um sistema que permite ao agente acionar uma descarga elétrica por meio de um botão e poderão ser usadas pelo ICE em abordagens e prisões. (Foto: Reprodução/ICE/redes sociais)

O ICE pretende equipar seus agentes com uma nova ferramenta para situações de resistência durante prisões: luvas capazes de provocar choques elétricos.

A agência planeja investir entre US$ 10 milhões e US$ 20 milhões na compra dos equipamentos, segundo um aviso divulgado pelo Departamento de Segurança Interna (DHS). A previsão é que o processo de contratação avance nos próximos meses.

Chamado de G.L.O.V.E. (Generated Low Output Voltage Emitter), o equipamento é fabricado pela Compliant Technologies, empresa do Kentucky. A luva tem aparência semelhante a um equipamento tático comum, mas possui um sistema que permite ao agente acionar uma descarga elétrica por meio de um botão.

A proposta é usar o dispositivo para controlar pessoas que estejam resistindo fisicamente durante uma abordagem. A fabricante afirma que a descarga causa uma dor rápida e intensa e pode fazer com que a pessoa pare de resistir.

O equipamento, porém, já provoca questionamentos. Organizações de direitos civis, como a ACLU, criticam a possibilidade de o ICE ter acesso à tecnologia e dizem que o uso de choques pode aumentar o risco de abusos durante operações migratórias.

A própria empresa estabelece restrições para o uso das luvas. Elas não devem ser utilizadas como forma de punição ou contra alguém que esteja apenas sendo verbalmente agressivo. Crianças, gestantes, idosos e pessoas com deficiência também aparecem entre os grupos contra os quais o dispositivo não é recomendado.

A tecnologia já foi utilizada por algumas forças policiais e unidades prisionais nos EUA. Para operar as luvas, os agentes precisam receber treinamento e passar por uma nova certificação a cada dois anos.

Compartilhar Post: