70 mil imigrantes foram presos na travessia da fronteira com o México em novembro

Comissário da Customs and Border Protection (CBP), Mark Morgane - nomeado por Trump – culpou a plataforma política do presidente eleito Joe Biden pelo aumento de 64% nas detenções em relação a 2019

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Quantidade de crianças deu um salto gigantesco passando de 712 em abril para 4,4 mil em novembro (foto: Jose Luiz Gonzalez/ Reuters)
Número de crianças detidas aumentou de 712 em abril para 4,4 mil em novembro (foto: Jose Luiz Gonzalez/ Reuters)

Setenta mil imigrantes foram presos tentando cruzar ilegalmente a fronteira dos EUA com o México no mês passado – um aumento de 64% em relação a novembro de 2019- , apesar da pandemia e das políticas rígidas de imigração impostas pelo presidente Donald Trump.

Mesmo antes do presidente eleito Joe Biden tomar assento na Casa Branca, o comissário da Customs and Border Protection (CBP), Mark Morgane – nomeado por Trump – culpou a plataforma política do Democrata pelo aumento nas tentativas ilegais de travessia.

“Não vamos apenas ver outra crise de imigração, nós vamos ver uma invasão. E eu acredito totalmente nisso”, disse Morgan.

Além do aumento geral no número de imigrantes, a quantidade de crianças desacompanhadas também deu um salto gigantesco. Em abril deste ano, 712 menores sem os pais foram encontrados na fronteira.

Em outubro esse número passou para 4,6 mil, e em novembro 4,4 mil. Os números são do próprio CBP.

A grande maioria dos imigrantes são de países da América Central que sofreram danos recentes com furacões como El Salvador, Guatemala e Honduras.

“Cartéis e traficantes de pessoas estão alimentando a percepção de que nossas fronteiras estarão mais uma vez abertas e que estaremos reabrindo as brechas que foram fechadas”, disse o comissário do CBP.

Morgan também disse que o governo está Trump está correndo para concluir sua meta de construir 450 milhas de muro na fronteira até o final do ano.

Desafios para Biden serão intensos

O primeiro dia de Biden como presidente deverá ser cheio. A expectativa é que ele assine várias ordens executivas para reverter algumas políticas imigratórias de Trump. Mas não será fácil.

Biden disse que entre as medidas que tomará no primeiro dia está a revogação do proibição da entrada de muçulmanos vindos de determinados países, através da assinatura de uma ordem executiva. Ele também deverá enviar ao Congresso uma proposta de legislação para legalizar cerca de 11 milhões de imigrantes indocumentados.

Analistas dizem que Biden também deverá usar as ordens executivas para parar criar uma força tarefa para reunir famílias de imigrantes separadas na fronteira. Jennifer Molina, porta-voz da equipe de transição, disse : “iremos trabalhar para garantir que nossas políticas de imigração reflitam nossos valores americanos”.

Mesmo assim, será difícil para a nova administração, principalmente pacificar os Democratas mais progressivos e conciliar agendas com os Republicanos para aprovar suas propostas. Também se espera que defensores dos imigrantes sejam críticos com o governo Biden, tendo como parâmetro as políticas migratórias do ex-presidente Barack Obama.

Fronteira

Biden prometeu durante a campanha terminar a política de Trump conhecida como “Permanecer no México”, que força milhares de pessoas que buscam asilo de várias partes do mundo a esperar por audiência nos tribunais mexicanos antes de solicitar a entrada nos EUA.

Para lidar com o grande fluxo, a administração Biden espera investir em programas de refugiados em países da América Central. Biden também será pressionado a deixar mais refugiados entrarem no país. Trump reduziu a entrada em cerca de 80%.

Entretanto, Biden não disse nada se irá encerrar uma ordem emergencial do Centers for Disease Control (CDC) que permitiu às autoridades quase que imediatamente expulsar cerca de 60 mil imigrantes na fronteira.

DACA

O novo presidente pode facilmente reestabelecer o programa conhecido como DACA. Mas grupos de defesa dos imigrantes e especialistas estão de olho em um processo judicial que corre no Texas questionando a legalidade do programa.

“O que os chamados Dreamers merecem é que o Congresso passe uma lei que abra caminhos para que estas pessoas se legalizem já no próximo ano”, disse Todd Schulte, presidente do FWD.us, um dos principais defensores da reforma imigratória.

É uma tarefa difícil para um Congresso que estará provavelmente dividido, especialmente depois de quatro anos de repressão à imigração de Trump, que foi amplamente popular no Partido Republicano.