A maré vermelha está de volta à costa da Flórida

Mais de um ano depois de atingir praias em todo o estado, fenômeno do Red Tide ameaça região de Fort Myers

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O fenômeno atingiu até as praias de Miami-Dade em 2018 (Foto: Fish and Wildlife Conservation Commission)

No ano passado, o fenômeno conhecido como Red Tide atingiu em cheio o litoral da Flórida. A proliferação das algas tóxicas incomodou moradores, prejudicou o turismo e matou peixes, tartarugas marinhas e até golfinhos. O estado ainda nem se recuperou totalmente do prejuízo de milhões de dólares causado pela maré vermelha e há indícios que ela está de volta: praias na região de Naples e Fort Myers já começaram a sentir as consequências de uma nova ocorrência.

O governador Ron DeSantis já determinou a criação de uma força-tarefa para estudar as causas da maré vermelha e, com isso, minimizar os efeitos. Na semana passada, a Comissão de Conservação de Peixes e Fauna Silvestre da Flórida () divulgou um mapa mostrando a extensão da maré vermelha na costa e, até agora, os condados mais atingidos foram o de Sarasota, Lee e Collier. De acordo com os especialistas, o problema está gradualmente avançando para o norte, em direção a Tampa Bay. Naquela parte do litoral, já houve relatos de mortes de animais marinhos e forte cheiro.

“Não parece tão grave quanto a do ano passado”, anima-se Bill D’Antuono, que lidera expedições de pesca e mergulho na costa de Naples. No entanto, para o professor de oceanografia Robert Weisberg, da Universidade do Sul da Flórida (USF), o surto atual demonstra concentrações altas de algas. Com a experiência de quem estuda o fenômeno há mais de 20 anos, ele diz que é muito difícil prever o caminho seguido pelas algas. “A gente acha que começou a entender o problema, mas a natureza vem e faz algo diferente”, disse o especialista.

Vale lembrar que no ano passado, o fenômeno chegou às praias de Miami-Dade, Broward e Palm Beach, que precisaram ser interditadas por causa da baixa qualidade da água. A maré vermelha da Flórida é causada por uma espécie de alga chamada Karenia brevis, que libera neurotoxinas que podem ser mortais para a vida selvagem e até causar problemas respiratórios em humanos. Embora esse não seja um fenômeno novo, a ocorrência em 2018 foi a quinto mais longa já registrado.