A morte do multitalentoso Millôr Fernandes

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Escritor havia passado mais de quatro meses internado num hospital em 2011 e faleceu em 27 de março

O escritor, desenhista, dramaturgo e humorista Millôr Fernandes morreu na noite de terça-feira (27), no Rio de Janeiro, aos 87 anos. Ele estava em casa e foi vítima de falência de órgãos múltiplos.

O corpo foi velado nesta quinta-feira (29) no cemitério Memorial do Carmo, no bairro do Caju, no Rio, antes de ser cremado no Crematório da Santa Casa.

Millôr havia passado mais de quatro meses internado no ano passado na Casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro. À época, a família não autorizou a divulgação de boletins médicos.

Em 15 de março de 1938, deu o primeiro passo na carreira de jornalista, assumindo o ofício de repaginador no semanário “O Cruzeiro”. No mesmo período, Millôr ganhou um concurso de contos na revista “A Cigarra” utilizando o pseudônimo Notlim. Posteriormente, ao assumir a direção da publicação, passou a assinar seus artigos, publicados na seção “Poste Escrito”, como Vão Gogo.

Três anos mais tarde, em 1941, o jornalista voltava a colaborar com “O Cruzeiro”, dando início aos 18 anos da coluna “O Pif-Paf” e ao momento áureo da revista, que passou dos 11 mil exemplares tradicionais a 750 mil.

Sucesso no país, Millôr dividiu o primeiro lugar na Exposição Internacional do Museu da Caricatura de Buenos Aires com o desenhista norte-americano Saul Steinberg, em 1955. Dois anos mais tarde, suas obras ganhavam uma exposição no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Em 1962 abandonou o pseudônimo Vão Gogo e assumiu o nome Millôr em seus trabalhos. Deixou “O Cruzeiro” no ano seguinte, após uma polêmica causada pela publicação do texto “A Verdadeira História do Paraíso”, criticado pela Igreja Católica. Em protesto à sua demissão, Millôr lança em maio de 1964 a publicação quinzenal “O Pif-Paf”, utilizando como jargão editorial “não temos prós nem contras, nem sagrados nem profanos”.

Após passagens pelo jornal português “Diário Popular” e pela revista “Veja”, Millôr participou em 1969 da fundação do jornal “O Pasquim”. Ao seu lado, estavam os cartunistas Jaguar e Ziraldo e os jornalistas Tarso de Castro e Sérgio Cabral.

Tendo o humor como foco, o semanário adotou tom politizado e criticava a repressão da ditadura. Nesse período, a publicação tornou-se um dos maiores fenômenos do mercado editorial brasileiro, ultrapassando a marca de 200 mil exemplares.

Colaborador da revista “Veja” de 1968 a 1982 e de setembro de 2004 a setembro de 2009, Millôr processou o veículo da Editora Abril quando seu conteúdo foi colocado na internet.

Além das publicações na mídia diária, Millôr se notabilizou como autor de peças teatrais, como “Liberdade, Liberdade”, “É…” e “Bons Tempos, Hein?!”.

Publicou, ainda, dezenas de prosas, como “Trinta Anos de Mim Mesmo”, “Novas Fábulas Fabulosas” e “Millôr Definitivo” A Bíblia do Caos”.

Em 2000, lançou o site “Millôr Online”, espaço utilizado para pesquisa de textos antigos e publicação de novos materiais.