Advogada diz que atirador que matou 17 em escola da Flórida está ‘triste e arrependido’

Armado com um fuzil AR-15, Nikolas Cruz, de 19 anos, ainda deixou vários feridos na escola Marjory Stoneman Douglas na quarta-feira (14); vigília na porta da escola reuniu milhares na noite de ontem

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Vigília na porta da escola emocionou os presentes FOTO Jim Rassol Sunsentinel
Vigília na porta da escola emocionou os presentes FOTO Jim Rassol Sunsentinel

Nikolas Cruz, de 19 anos, o ex-aluno que promoveu um massacre em uma escola em Parkland está “triste e arrependido”, de acordo com a sua defensora pública. Ele matou 17 pessoas e deixou vários feridos na escola Marjory Stoneman Douglas na quarta-feira (15), alguns ainda estão em estado gravíssimo em hospitais da região.

“Ele está plenamente consciente do que está acontecendo. Ele é apenas um ser humano devastado”, afirmou Melisa Mcneill, que é sua principal advogada, segundo a CNN.

Esse foi o maior atentado a escola desde Sandy Hook, Connecticut, que matou 28 pessoas (20 crianças) em 2012. De acordo com o Broward Sheriff’s Office, o atirador, que foi preso horas depois do atentado, é um ex-aluno da escola. Nikolas Cruz, de 19 anos, deu entrada na Broward’s Main Jail, em Fort Lauderdale, na manhã de quinta-feira (15). Ele foi acusado da morte de 17 inocentes e ter ferido outras 16 pessoas com um rifle AR-15.

Nikolas havia sido expulso da escola de Parkland por mau comportamento. De acordo com a polícia, ele acionou o alarme de incêndio da escola, enquanto as pessoas saíram das salas de aula, e deu início ao massacre. Nikolas era considerado um adolescente problemático e depressivo.

Ele confessou o crime para a polícia e está preso sem direito à fiança. Segundo a polícia, ele chegou à escola de Uber, conseguiu ter acesso à escola e disparou pelo menos 100 tiros.

“Cruz afirmou em depoimento que tinha um rifle AR-15 em mãos e começou a atirar nas pessoas que via pela frente. Ele afirmou também que levou munição para carregar a arma e as manteve dentro da mochila”, uma fonte da polícia revelou ao Sunsentinel.

De acordo com a polícia, depois do massacre, o Nikolas entrou no supermercado Walmart e comprou algo para beber em uma unidade da rede Subway. Ele deixou o local caminhando. O atirador também entrou em um McDonalds, onde se sentou por um curto momento e saiu a pé. Ele foi preso mais tarde.

‘Perfil perturbador’

O “Miami Herald” conversou com professores e alunos que dizem que Cruz era considerado uma pessoa problemática, que ameaçava colegas e não tinha autorização para entrar no prédio portando mochilas – decisão que teria sido tomada devido ao seu interesse obsessivo por armas. Ele foi expulso da escola por motivos disciplinares, mas o motivo exato não foi divulgado.

A imprensa americana encontrou em sua conta no Instagram, que foi bloqueada após o tiroteio, uma série de fotos em que Nikolas Cruz aparece com facas e arma de fogo. Na avaliação do sheriff Scott Israel, o conteúdo de suas redes sociais era “perturbador”, segundo a CNN.

Vigília

Na noite de quinta-feira (15), milhares de pessoas se reuniram em uma vigília na frente da escola, em Parkland, em lembrança dos 17 mortos no massacre. Durante a homenagem, jovens e adultos se emocionaram ao ouvir o testemunho do pai da menina Jaime Guttenberg, de 14 anos, uma das assassinadas no ataque.

Emocionado, Fred Guttenberg explicou que no ano passado perdeu um irmão vítima de um câncer, que apareceu em decorrência dos atentados do 11 de setembro de 2001, segundo a agência Efe. (Com informações do G1, Sunsentinel e agências).

Cruz e seu irmão biológico, Zachary, são filhos adotivos
Nikolas Cruz