Agências de viagem se queixam de cortes de comissões feitos pelas empresas aéreas

Agentes se sentem traídos porque deram apoio às companhias na época da pandemia

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Empresário George Halas, há mais de 20 anos no mercado de turismo em Miami, reclama de redução nas comissões por vendas pagas pelas áereas (Foto: Facebook)
Empresário George Halas, há mais de 20 anos no mercado de turismo em Miami, reclama de redução nas comissões por vendas pagas pelas áereas (Foto: Facebook)

Ao longo do tempo, agências de viagens sempre foram as principais parceiras das companhias aéreas. Afinal, sempre funcionavam como posto avançado de vendas de passagens, evitando que as empresas tivessem de manter uma enorme equipe de vendas espalhada por vários estados e países.

Entretanto, o advento da Internet e dos sites parece ter mudado essa relação de parceria. Agora, as companhias áereas preferem vender as passagens diretamente para o consumidor final pelo site, eliminando assim os intermediários companheiros comerciais, que seriam as agências de viagens.

No entanto, isso se vem mostrando uma política equivocada, segundo vários agentes de viagens. George Halas, proprietário da New Porte Travel, é um daqueles que está bastante desgostoso com as novas determinações das empresas aéreas, que cortou as comissões das agências em mais de 50%.

“Com esse corte nas comissões, as agências de viagens serão até obrigadas a cortar funcionários e os descontos antes oferecidos aos aos clientes”, critica Halas, afirmando que as empresas aéreas não foram leais com as agências de viagens. “Na época da pandemia, quando ninguém podia viajar, eles imploraram para que vendessemos passagens e convencermos os nossos clientes a não pedir reembolso das passagens e, sim, optar pela remarcação das passagens em voos futuros. Fomos parceiros e evitamos a sangria financeira das empresas aéreas , que poderia até mesmo provocar rombo no fluxo de caixa delas”, afirma.

Agora, depois da reabertura das fronteiras, o mercado voltou a ficar aquecido e os voos lotados, muitos devidos a remarcações dos bilhetes não utilizados na pandemia, e agora estão dispensando praticamente a parceria com as agências de viagens. As empresas  aéreas estão preferindo que o  o passageiro compre o bilhete diretamente nos sites deles e, dessa forma, aumentando fluxo de caixa deles e diminuindo o comissionamento dos serviços de vendas prestados pelas agências de viagens, esquecendo que as agências são aquelas que dão atendimento personalizado e assistência aos passageiros.

De acordo com Halas, essa solução pode ser boa para as companhias aéreas, mas não é a ideal para os passageiros. “Quando o cliente compra uma passagem através de uma agência de turismo, tem um atendimento personalizado e de fácil acesso à agência. Desse modo, em caso de algum problema na hora do embarque, o passageiro pode chamar seu agente de viagem e ter todo tipo de assistência na solução dos problemas. Já no caso das companhias aéreas, o passageiro liga para uma central e não sabe com quem está falando. É um atendimento impessoal, que pode deixar o passageiro inseguro e desesperado na hora de resolver seu problema. É o mesmo sistema adotado pelos sites de venda de passagens por Internet como Expedia, Kayak e outros, que não possuem uma equipe de suporte aos clientes.”

A revolta das agências de turismo é geral, conforme explica Halas: “Esse movimento começou com a American Airlines e foi seguido pela Latam e Azul. Por enquanto Delta e United não alteraram as comissões. Ganhar apenas $30 por bilhete em média não suportaria as despesas de uma agência, tornando inviável a existência de agências viagens de pequeno a médio porte, num futuro próximo. É como condenar todas à falência, por ter reduzido pela metade o faturamento, que já estava difícil na pandemia.”

Diante dessa decisão, as agências de turismo clamam por uma relação mais justa entre elas e as empresas aéreas, a fim de que todos possam ganhar e os passageiros continuar usando os serviços de seu agente de viagem preferido.

Tentamos ouvir um representante de empresas aéreas, mas ninguém respondeu às ligações do AcheiUSA. O jornal e o site continuam disponíveis para ouvir as explicações delas.