Amazon compra Whole Foods por $13,7 bilhões

Gigante do varejo on-line quer abocanhar também os supermercados

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A gigante do varejo on-line Amazon movimentou o setor varejista na última sexta-feira (16), depois de anunciar a compra da rede de alimentos orgânicos, Whole Foods, por $13,7 bilhões. Segundo a AFP, toda a transação foi feita em dinheiro e a Amazon comprou a empresa líder de alimentos orgânicos do Texas por $42 por ação.

A fusão, que deve ser concluída no segundo semestre deste ano, implica que a Amazon também assumirá a dívida da rede de supermercados, fundada em 1978 e que tem 460 lojas em Estados Unidos, Canadá e Reino Unido.

O passo dado pela Amazon representa um avanço gigante, mas também arriscado, entre uma série de decisões anteriores que incluíam o comércio eletrônico de alimentos frescos e a abertura de uma rede de lojas físicas.

“Milhões de pessoas amam (o supermercado) Whole Foods Market porque eles oferecem os melhores alimentos naturais e orgânicos, e tornam a alimentação saudável divertida”, afirmou Jeff Bezos, CEO da Amazon, no comunicado que informa sobre esta operação.

A rede de supermercados, líder em produtos orgânicos (caros), estava apresentando reflexos da crise que o setor comercial varejista tradicional vem atravessando frente ao avanço dos negócios eletrônicos.

De fato, importantes acionistas da rede vinham pressionando em favor de uma fusão. As vendas da Whole Foods vêm caindo em todos os trimestres desde setembro de 2015 e os papéis da companhia perderam a metade de seu valor desde o recorde alcançado em 2013.

De acordo com o anúncio da Amazon, a Whole Foods continuará operando com essa marca, muito difundida e conhecida entre os mais jovens, amantes dos alimentos orgânicos, e entre as classes mais abastadas dos Estados Unidos.

Além disso, John Mackey, fundador da rede de supermercados, seguirá à frente da companhia, cuja sede principal fica em Austin, no estado do Texas.

“Esta operação representa uma oportunidade para maximizar os lucros dos acionistas da Whole Foods Market e, ao mesmo tempo, ampliar nossa missão e contribuir para melhorar a qualidade, a experiência, a conveniência e a inovação para nossos clientes”, afirmou Mackey.

A operação, além dos reflexos positivos no mercado financeiro, está sendo muito bem recebida pelos analistas.

“A marca (Whole Foods Market) é um bom complemento para a Amazon e permitirá uma estratégia mais agressiva no mercado de entrega de alimentos frescos em domicílio”, afirmou à emissora financeira “CNBC” o diretor da firma Technomic, Darren Tristano.

No entanto, os especialistas também destacaram a diferença de modelo entre as duas companhias, já que a Amazon é fundamentalmente uma plataforma para a venda de produtos a preços mais baixos, enquanto a Whole Foods tem seu foco nas classes mais abastadas.

A compra da Whole Foods permite que a Amazon consolide posições no setor do comércio de alimentos e representa uma dificuldade adicional para as tentativas do Walmart de ampliar sua presença no comércio eletrônico.

A operação de fusão acontece em um momento no qual o comércio varejista dos Estados Unidos vem sofrendo uma profunda crise pela queda de suas vendas e que está afetando enormes grupos do setor, como Macy’s e JC Penney.

As vendas nas lojas tradicionais seguem caindo nos EUA enquanto as da Amazon, por exemplo, cresceram 23% no primeiro trimestre deste ano, o que reflete uma mudança de comportamento entre os consumidores.

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