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Apresentadora Fernanda Pontes fala sobre os desafios da maternidade nos Estados Unidos

Domingo (12) é Dia das Mães e o AcheiUSA conversou com exclusividade com a apresentadora e atriz Fernanda Pontes sobre o os prós e contras de criar filhos longe do País natal

Fernanda Pontes com os filhos Malu e Matheus FOTOS: Cláudio Castanhola Malu e Matheus
Fernanda Pontes com os filhos Malu e Matheus FOTOS: Cláudio Castanhola

A atriz e apresentadora Fernanda Pontes é muito conhecida dos brasileiros que vivem nos Estados Unidos, já que por cinco anos comandou o programa Planeta Brasil. O programa da Globo Internacional retratava as histórias de sucesso e realidade vivida por imigrantes brasileiros nos Estados Unidos. Fernanda Pontes vive há seis anos em Orlando (FL) com o marido Diogo Boni, a filha Manu (nascida no Brasil) e o filho Matheus, nascido nos Estados Unidos.

A apresentadora foi nomeada recentemente Embaixadora da Língua Portuguesa como Língua de Herança, cargo de muita responsabilidade pelo qual ela viaja por todo território americano divulgando, incentivando e buscando propagar nossa cultura e idioma.   

Há dois meses, Fernanda lançou a Fundação IFYOU Foundation, onde seu compromisso é gerar oportunidades e motivar aqueles que almejam um futuro melhor, ampliando e validando ações sociais e ONGS que já existem aqui nos Estados Unidos. “A IFYOU vem para somar a projetos já existentes, abraçando diversas causas em prol de ONGS que fazem a diferença na vida dos brasileiros e americanos nos EUA”, comentou.

Em entrevista ao AcheiUSA especial para o Dia das Mães, comemorado neste domingo (12), Fernanda conta um pouco da realidade de criar filhos longe da família e em outra cultura. Ela pretende lançar, ainda este ano, um livro voltado para as mães imigrantes. Confira:

Sabemos que não é fácil ser mãe nos EUA, longe da família. Na sua opinião, quais são os principais desafios?

Viver longe do seu país, longe da sua família, dos seus costumes é desafiador, mas eu sempre digo que somos todos vencedores por termos chegado até aqui e termos tido a coragem de abrir mão de tantas coisas. Lembro que quando chegamos, a Malu tinha dois aninhos, eu ainda com uma mistura enorme de sentimentos dentro de mim e descobri que estava grávida do Matheus. Naquela hora entendi que os meus planos aqui seriam muito maiores e que certamente eu teria muito a realizar. Nasci para ser mãe e descobri em mim uma verdadeira guerreira, sou daquelas leoas mesmo, com uma força e uma fé inabalável. Hoje, olho para trás e vejo que tudo que conquistei, foi pelos meus filhos. Aprendi a lidar com a saudade que sinto dos almoços de domingo com meus pais. Fiz muitas amizades por aqui, encontrei verdadeiros anjos, que me ajudam muito na minha rotina digna de mulher maravilha e me inspiro em cada mulher e mãe que conheço que assim como eu se dividem em mil, batalham, ganham, perdem, mas estão sempre sorrindo por amor aos seus filhos. Tenho muita gratidão por tudo que vivi e vivo neste país e reconheço cada brasileiro que de alguma forma contribuiu para que eu me sentisse mais amada e mais em “casa”.

Você tem dois filhos pequenos, o que você levou em consideração para escolher a escola para eles? Foi tranquila a adaptação?

A Malu nasceu no Brasil, mas chegou aos EUA com dois aninhos. Os primeiros dias na escola foram bem difíceis. Ela sempre foi uma criança muito desenvolta e pela primeira vez vi a Malu, tímida, paralisada eu diria, mas conversei com a professora e pedi ajuda. Nunca deixei de falar português com a minha filha, pois tinha certeza que o inglês ela iria aprender de forma orgânica e que essa responsabilidade era da escola. Após uma semana tudo ficou bem.

Eu como mãe, aprendi que na vida temos que nos impor, com educação e respeito sempre. Não é porque sou estrangeira que tenho que aceitar tudo, acho que quando pedimos ajuda e conversamos tudo se encaixa.

Os americanos são pessoas amáveis. Basta você falar sempre a verdade.

Hoje Malu e Matheus amam morar aqui em Orlando e me acompanham em muitas viagens pelos EUA e adoram visitar nossa família e amigos no Brasil.

Procurei uma escola onde eu entrasse e me apaixonasse, onde os professores se importassem com o outro, que o método de ensino fosse bom, claro, mas acima de tudo uma escola que formasse seres humanos amáveis, que respeitasse o próximo e que tratasse a todos igualmente.

Eles também participam do programa da Fundação Vamos falar Português (VFP) aos sábados, em Orlando. Acho muito importante meus filhos não só falarem e escreverem em português, mas sobretudo preservarem a nossa história e a nossa cultura, pois tenho muito orgulho de ser brasileira.

Uma coisa será muito especial esse ano, é que durante esses seis anos de EUA, sempre trabalhei muito e nunca consegui ir na festa da escola do dia das mães, mas este ano priorizei os meus filhos e abri mão de alguns compromissos profissionais para estar com eles neste dia que será mais do que especial. Estou tão nervosa e ansiosa que vocês nem imaginam.

Durante o tempo que apresentou o Planeta Brasil, você encontrou muitas histórias de mães guerreiras no seu caminho? Alguma te chamou mais atenção?

Foram cinco anos à frente do Planeta Brasil. Tive a oportunidade de contar mais de 600 histórias. Pude enxergar a vida nos EUA, através do olhar de muitos imigrantes e mães guerreiras que me inspiraram e me tornaram ainda mais forte. É difícil escolher somente uma história, pois foram muitas marcantes.

A mãe brasileira que tem dez filhos, essa quando estou desmotivada por alguma razão de não conseguir fazer algo com meus filhos, juro que me lembro dela (risos). Tantas mães incríveis que cruzaram o meu caminho, que me emocionaram como as mães de crianças especiais que me fizeram ver que tudo é possível nesta vida, basta acreditar.

Digo que hoje, sou uma em muitas mulheres que conheci e que certamente fizeram a diferença na minha vida.

Quais os maiores desafios para as mães modernas?

Hoje com esse avanço tecnológico, a informação chega muito mais rápido e muitas vezes nos ajudam, mas por vezes me assusta um pouco. Sou muito atenta a tudo e gosto de conversar sempre com eles, sem cobrança, respeitando o espaço deles. Acho que o segredo é sempre mantermos um dialogo positivo, dando o caminho para eles seguirem em frente.

Meus filhos são pequenos ainda, tem apenas 4 e 7 anos, mas desde sempre, estabeleço limites e responsabilidades. Claro que muitas vezes eu sou até mais criança que eles, adoro rolar no chão, cantar e sair da rotina de vez em quando. Surpreender os filhos também é incrível e são momentos que guardaremos para sempre. Tem dias que busco na escola e levo para fazer uma atividade que eles não esperavam, e eles amam.

Aprendi muita coisa morando nos EUA… a ser mais organizada, ter um planejamento para que tudo dê certo, mas não tem jeito, nós mães, por mais presentes e intensas, teremos sempre aquela culpa e a sensação que está sempre faltando algo e que podemos fazer mais.

O sorriso de nossos filhos é o melhor combustível que temos para nos tornarmos ainda mais felizes e realizadas em nossas vidas.

Fale mais sobre o projeto IF YOU e por quê resolveu criá-lo?

Desde a minha mudança para os EUA, sabia que eu tinha um propósito a mais do que exercer a somente a minha profissão. Naquela época não sabia ao certo, mas a cada história que eu contava através do Planeta Brasil ou do meu programa de rádio, eu me emocionava com a vida de cada imigrante, me identificando muitas vezes. Quando íamos fazer matérias contando histórias que envolviam ações sociais, eu saía de lá querendo fazer ainda mais por aquelas pessoas. Isso tudo me despertava a vontade de ajudar ainda mais, foi aí que comecei a me voluntariar em algumas instituições e conhecer e vivenciar de pertinho o lindo trabalho que cada um fazia.

Fui nomeada Embaixadora de algumas delas e quando conversei com a Consul Glivânia de Oliveira no começo de 2018, entendi que eu realmente deveria criar algo concreto, grandioso que pudesse unir essas ONGs já existentes e fazer realmente a diferença na vida do imigrante brasileiro.

Foi aí que surgiu a IF YOU FOUNDATION e onde estiver um brasileiro envolvido faremos ainda mais por ele e por diferentes ONGS já existentes. Minha fundação é para o povo, não defenderemos somente uma causa e sim todos que estiverem ao nosso alcance.

Nomeamos diferentes Embaixadoras de diferentes Estados que estarão à frente e juntando forças para alcançarmos ainda mais causas e imigrantes.

Quem são as mães/mulheres embaixadoras da IFYOU?

São 17 Embaixadoras IF You, todas são mães, cada uma com a sua história de vida, como imigrante, lideres comunitárias, mulheres engajadas admiráveis e inspiradoras. Mulheres e mães que já fazem o bem e que estão juntas comigo para somatizar. Tenho muito orgulho de ter cada uma delas neste projeto tão lindo.

Como ajudar a fundação?

Você pode contribuir de várias maneiras para engajar ainda mais nas causas que apoiamos, basta entrar e se cadastrar no nosso site. Como voluntário em nossas ações, apadrinhando uma de nossas ONGs, sendo uma empresa patrocinadora da IF YOU FOUNDATION. Sem dúvida você estará contribuindo e impactando vidas.

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