Na segunda-feira (10), uma aeronave da Delta Air Lines que partiu de Las Vegas com destino ao Aeroporto Internacional Hartsfield-Jackson, em Atlanta, foi alvo de um ataque cibernético conhecido como “gêmeo maligno” (evil twin). A fraude foi percebida por passageiros, que alertaram os comissários de bordo. O voo 591 transportava 199 passageiros, entre os quais especialistas e congressistas que haviam participado da DEF CON 34, o maior encontro anual de hackers e especialistas em tecnologia do mundo.
Por meio de um dispositivo portátil de testes de penetração em redes, o invasor interrompeu o sinal legítimo da aeronave e ativou um ponto de acesso falso com o nome sugestivo de “Delta WiFi Fast”. Os passageiros que tentavam se conectar à rede eram direcionados para uma página de login falsa, projetada para capturar credenciais de acesso de contas do Google e senhas pessoais.
Como medida preventiva e imediata de mitigação, a tripulação desligou completamente o sistema de internet da aeronave por cerca de 30 minutos. A ação visava interromper qualquer tentativa de captura de dados e isolar a frequência não autorizada enquanto o avião ainda estava em velocidade de cruzeiro.
Diante do risco de roubo de dados, os pilotos acionaram o sistema ACARS, mecanismo de comunicação digital por texto utilizado para a troca de informações entre a cabine de comando e as equipes em solo. Nas mensagens enviadas à central de segurança corporativa da Delta, os pilotos relataram que alguém a bordo havia bloqueado o Wi-Fi original e emitia um sinal paralelo com o intuito de aplicar golpes nos demais ocupantes.
O porta-voz da Delta Air Lines, Morgan Durrant, declarou que a segurança do voo não esteve em risco em momento algum e que nenhum sistema operacional ou de navegação da aeronave foi afetado. O executivo também confirmou a abertura de uma investigação, que está sendo acompanhada pela Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) e pelo escritório do Departamento Federal de Investigação (FBI) em Atlanta.
Ao desembarcar no aeroporto de destino, a aeronave foi recepcionada por policiais para averiguações. Até o momento, o responsável pela emissão do sinal não autorizado não foi identificado.
A FAA ressaltou que, embora o sistema de Wi-Fi voltado para o entretenimento dos passageiros possa ser alvo de interferências ou clonagem, os sistemas aviônicos de navegação e controle de voo operam em redes estritamente isoladas, o que impede que qualquer ataque à rede de passageiros comprometa o controle mecânico ou a segurança do avião.
