Ativistas anunciam nova greve de fome e passeatas pela reforma imigratória

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Em 2014 as organizações que batalham pela reforma imigratória não darão trégua aos republicanos

A luta pela reforma imigratória já tem definido o novo campo de batalha. Dois ativistas conversaram com o jornalista Jorge Ramos, da Univision, e revelaram as estratégias de 2014 assegurando que não pararão até que os republicanos da Câmara de Deputados aprovem um plano que inclua a cidadania.

O sindicalista Eliseo Medina, ex-secretário-tesoureiro do Sindicato Internacional de Empregados e Serviços (SEIU), e Juan José Gutiérrez, presidente do Movimento Latino USA de Los Angeles, Califórnia, explicaram as mobilizações que começarão no final de janeiro e reiteraram suas preocupações com a política de deportações do presidente Barack Obama.

“A estratégia tem de ser a mesma de sempre”, disse Gutiérrez, partidário de mobilizações expressivas como as ocorridas na primavera de 2006 quando milhares de imigrantes saíram às ruas das cidades com alta concentração de latinos para pedir ao Congresso uma reforma imigratória justa.

“Não podemos permitir que os protagonistas desta luta, os que são diretamente afetados, os imigrantes indocumentados, fiquem de fora do cenário político. Por este motivo, o mais importante é a participação da comunidade”, acrescentou.

A onda anti-imigrante

As passeatas de 2006 rivalizaram com as mobilizações pelos direitos civis registradas na década de sessenta que foram encabeçadas pelo reverendo Martin Luther King, Jr. Apesar de não terem conseguido a aprovação de uma reforma imigratória ampla, puseram o tema sobre a mesa de debates em Washington DC.

Em dezembro de 2005 a Câmara de Deputados aprovou um projeto que criminalizou a permanência indocumentada e em maio do ano seguinte o Senado aprovou um projeto diferente, que incluiu a cidadania para a maioria dos indocumentados. Um mês depois, a então liderança republicana cancelou o Comitê de Conferência que harmonizava as duas versões, argumentando razões de segurança nacional.

A partir de então, uma onda anti-imigrante tomou conta de grande parte do país e os estados aprovaram leis para combater a imigração indocumentada. Os mais severos foram Arizona e Alabama, que sob o pretexto de que o Congresso não fazia nada sobre o tema, criminalizaram a estadia sem papéis legais, uma questão que no resto do país continua sendo um ato de desobediência civil.

Partes chave das leis aprovadas no Arizona e no Alabama foram impedidas pelas cortes federais e pela Corte Suprema de Justiça. Juízes concordaram em realçar que o tema é um assunto de competência federal.

Com as mãos vazias

O ano de 2013 finalizou com uma greve de fome liderada por Medina e com mobilizações convocadas, entre outros, por Gutiérrez. E com a promessa da liderança republicana de incluir o debate da reforma imigratória durante os primeiros meses do novo ano.

“Creio ser necessário fazer atividades impactantes”, disse Gutiérrez e insistiu que os imigrantes novamente, como em 2006, devem tomar as ruas para pressionar os republicanos na Câmara de Deputados. “As passeatas são a expressão máxima da democracia, a participação direta, maciça”, disse o ativista.

Medina apóia as passeatas. Mas apresenta outras alternativas. “Está dentro de nossa comunidade continuar participando de passeatas, seja ligando pelo telefone, seja pressionando seu congressista. Existe ainda um momento em que as pessoas precisam expressar-se através de seu voto”, disse.

Gutiérrez anunciou que em 22 de fevereiro será realizada a primeira passeata em Los Angeles e Medina apontou que em 27 de janeiro começarão uma greve de fome simultaneamente em Washington DC e em Ohio, no distrito do presidente da Câmara de Deputados, o republicano John Boehner.