Autoridades americanas alertam para perigos do cigarro eletrônico

Doença pulmonar foi identificada em 450 usuários do vaping e quatro já morreram; no Brasil é proibido comercializar e consumir o e-cigarette

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Vaping - (Foto Lindsay Fox - Wikimedia Commons)

Os cigarros eletrônicos estão na mira do Center for Disease Control (CDC). Os Estados Unidos identificaram ao menos quatro falecimentos ligados ao uso dos e-cigarrettes –um quinto caso ainda é investigado, mas não foi confirmado. A doença que causa a morte ainda não foi identificada, mas uma das possibilidades são os altos níveis de acetato de vitamina E entre os compostos químicos.

O Departamento de Saúde do estado de Indiana atribuiu uma morte à doença na sexta (6), e autoridades do estado de Minnesota confirmaram uma outra, no mesmo dia.  O departamento de saúde pública de Los Angeles divulgou, também na sexta (6), que está investigando se um falecimento também está relacionado à enfermidade.

Os estados de Illinois e do Oregon já haviam notificado casos fatais antes.

Os médicos identificaram e descreveram problemas nos pulmões de pessoas que usam cigarro eletrônico em publicações científicas como o “New England Journal of Medicine”. Eles classificaram a tendência como preocupante.

Os CDC e a FDA, agências que regulam fármacos e alimentos no país, estão trabalhando com os departamentos estaduais de saúde para tentar descobrir o que causa a doença que, segundo as autoridades, estaria associada ao vaping. Eles pedem que as pessoas evitem o consumo até o final das investigações.

Em muitos casos, os pacientes relataram usar produtos que incluíam maconha ou THC, o princípio ativo da maconha, antes de adoecer. As agências também alertaram para a alteração de dispositivos comerciais ou o consumo de substâncias caseiras.

Muitas pessoas acreditam que o vaping é mais seguro que cigarros tradicionais e o tabaco, que matam 8 milhões de pessoas a cada ano devido ao câncer e outras doenças, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Os cigarros eletrônicos são vistos como uma alternativa que poderia ajudar fumantes a parar de fumar e salvar vidas, embora autoridades de saúde ainda estejam estudando seus efeitos colaterais e riscos à medida que se tornam cada vez mais populares.

Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária informa que a comercialização, importação e propaganda de todos os dispositivos eletrônicos para fumar são proibidas no Brasil, por meio da Resolução de Diretoria Colegiada da Anvisa: RDC nº 46, de 28 de agosto de 2009.

“Conhecidos por diversos nomes, dentre eles e-cigarette ou caneta vapor, o cigarro eletrônico surgiu como uma promessa de auxílio para quem deseja parar de fumar. O problema é que não existem estudos que comprovam a segurança na utilização do produto”, informa a Anvisa em comunicado.

Em julho de 2017, a Anvisa recebeu um documento de apoio da Associação Médica Brasileira (AMB) e das Sociedades Médicas a ela filiadas à proibição dos Dispositivos Eletrônicos no Brasil. O texto aborda quão nocivo pode ser o uso do cigarro eletrônico para a saúde do usuário. A AMB destaca, também, o poder do produto para atrair usuários jovens, instigando o hábito de fumar.