Avanço da covid-19 no Brasil preocupa autoridades de saúde do mundo inteiro

Um ano após o início da pandemia, o Brasil apresenta seu pior cenário, com recorde de mortes pela doença em 24 horas e sobrecarga dos hospitais

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Cientistas alertam que o avanço da doença no Brasil se tornou uma ameaça global (Foto: Freepik)
Variante ômicron do coronavírus já se espalhou para pelo menos 15 países (foto: Freepik)

A situação alarmante em que se encontra a pandemia de coronavírus no Brasil preocupa autoridades de saúde do mundo inteiro. Cientistas alertam que o avanço da doença no país se tornou uma ameaça global, com o risco de gerar novas e ainda mais letais variantes do coronavírus.

O recorde no número de mortes em 24 horas e a ocupação de leitos ganhou manchetes de jornais como o “The New York Times” e “The Guardian”. 

“Nenhuma outra nação no mundo teve um aumento tão significativo de casos da doença nas últimas semanas. O Brasil está batalhando com uma variante ainda mais contagiosa do vírus”, cita o NY Times. 

Ao Guardian, Miguel Nicolelis, neurocientista da Universidade de Duke (EUA) que fez parte até mês passado da coordenação do Comitê Científico do Consórcio Nordeste para a Covid-19, pediu que a comunidade internacional se manifeste e cobre o governo brasileiro por não estar sendo capaz de conter o avanço da doença, que já matou mais de 257 mil pessoas no país.

“De que adianta resolver a pandemia na Europa ou nos EUA, se o Brasil continua a ser um terreno fértil para esse vírus? Se você permitir que o vírus seja transmitido nos níveis em que está se proliferando aqui, você abre a porta para a ocorrência de novas mutações e o aparecimento de variantes ainda mais letais”, afirmou ao jornal britânico.

Variante

Além da presença da variante britânica, o Brasil enfrenta no momento o aumento da cepa P.1, surgida em Manaus, no Amazonas, associada ao colapso no sistema de saúde da cidade e possivelmente à atual alta de internações e mortes em todo o país.

Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade de Oxford e da Universidade de São Paulo analisou a evolução genética da P.1 e concluiu que esta cepa é de 1,4 a 2,2 vezes mais infecciosa que a tradicional, e muito propensa a causar reinfecção. Os dados, no entanto, foram divulgados em um artigo preliminar (ainda sem revisão independente).

Enquanto isso, a vacinação ocorre em ritmo lento no Brasil. Pouco mais de 7 milhões de brasileiros receberam a primeira dose da vacina contra a covid-19. Especialistas alertam que, além de implementar medidas eficientes de mitigação, a vacinação em massa é essencial para controlar a disseminação das linhagens do novo coronavírus no país. (Com informações do O Globo e New York Times)