Bebê Sofia será cremada em Miami

A pequena lutava contra um vírus que se instalou em seu pulmão, depois de um transplante multivisceral

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DA REDAÇÃO – O corpo da pequena Sofia Gonçalves de Lacerda, de um ano e oito meses será cremado em Miami e as cinzas guardadas pela mãe, Patrícia de Lacerda que deu essas informações na página “Ajude Sofia” no Facebook. Ela lutava desde julho contra um vírus que se instalou em seu organismo, enquanto se recuperava de um transplante de cinco órgãos, realizado em maio pela equipe do médico brasileiro Rodrigo Vianna. Segundo o médico, os órgãos transplantados estavam funcionando bem, o vírus no pulmão que causou a morte. A mãe postou o seguinte depoimento nas redes sociais.

“Não está sendo fácil ficar sem nossa menina. Por ironia do destino, Sofia nos deixou por causa de algo que não tinha nada haver com o transplante, pois os órgãos dela até o último momento estavam perfeitos. Eu e o pai dela decidimos cremá-la aqui, por ser algo não burocrático. Se fôssemos fazer o translado seria muito mais demorado, burocrático e dolorido, e também quero ela sempre do meu lado, mesmo que sejam suas cinzas”, disse Patrícia.

Ela informou que ainda não sabe que dia o casal irá voltar para o Brasil, pois eles têm que organizar toda a documentação pertinente ao caso. Uma cerimônia na intenção da criança será organizada pela família, mas ainda não tem data. “Desde já agradeço as mensagens de carinho, as orações e por vocês nunca terem nos abandonado nesta luta com nossa menina. Quero agradecer à equipe do Dr. Rodrigo, o Dr. Thiago e a Dra. Garcia que estiveram sempre do nosso lado, como médico e também como grandes amigos. E que Deus nos dê força para continuar o quê Sofia começou”, escreveu a mãe.

Entenda o caso
De acordo com informações do G1, os médicos também explicaram que o quadro grave se dava por conta de uma infecção do pulmão, pois os órgãos transplantados–estômago, fígado, pâncreas, intestino delgado e intestino grosso–continuavam em bom estado. Internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Jackson Memorial Hospital, nos Estados Unidos (EUA), Sofia, portadora de uma doença rara, foi acometida por um vírus resistente, o Citomegalovirus, quando se recuperava de um transplante multivisceral–quase todo o aparelho digestivo foi trocado.

Em sua página no Facebook, o chefe da equipe que fez a cirurgia e cuidou da pequena durante todos esses meses, Rodrigo Vianna, escreveu: “Triste dia. A Sofia foi a primeira criança a morrer aqui em 2015. Nós estavámos do lado dela e de seus pais na hora da morte. Como médico e pai de três filhos a nossa profissão tem momentos lindos de cura mas também momentos de extrema dor. Jamais estaremos completamente preparados para isto. A Sofia e seus pais deixaram uma história de fé, esperança e luta pela vida, pelos direitos de todos nós. Ela tinha uma alegria incrível e deixará saudades. Mas a vida é assim, cheia de mistérios, obstáculos. A perda de um filho talvez seja o maior deles todos. Temos que viver nossos momentos de alegria com eles plenamente. Apesar de não ter vontade de trabalhar hoje eu sei que vou continuar esta eterna luta pelo próximo paciente, sempre tentando devolver ou estender a vida nem que seja por um instante. Sofia uniu um povo que tem uma solidariedade e um coração inigualáveis. Lutamos todos juntos. Brasil de tanta gente boa.Fica mais uma vez a prova de que lutamos contra algo muito maior que nós. Obrigado meu parceiro de profissão e amigo Thiago Beduschi e minha colega Jennifer Garcia pelo profissionalismo e competência. Descanse em paz bonequinha. Tenho certeza que iras arrancar um largo sorriso de Deus com tua alegria e sorriso contagiante”.

A luta da pequena Sofia foi acompanhada de perto por todo o país e pela comunidade brasileira que vive nos Estados Unidos. O nome da menina é também um dos assuntos mais comentados do Twitter e do Instagram.