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Biden recebe dossiê pedindo suspensão de acordos com Brasil

Documento obtido pela BBC Brasil recomenda restrição das importações de madeira, soja e carne do Brasil, a menos que se possa confirmar que os produtos não estejam vinculados ao desmatamento ou abusos dos direitos humanos

Dossiê foi escrito por professores de universidades além de diretores de ONGs internacionais (foto: flickr)
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O dossiê escrito por professores de dez universidades (9 delas nos EUA), além de diretores de ONGs internacionais como Greenpeace EUA e Amazon Watch pede a paralisação de acordos, negociações e alianças políticas dos EUA com o Brasil.

A BBC News Brasil teve acesso ao documento de 31 páginas e reportou que o material foi entregue ao núcleo do governo Biden por meio de Juan Gonzalez, recém-nomeado diretor-sênior para o hemisfério ocidental do National White House Security Committee.

Gonzalez é conhecido por fazer duras críticas às políticas ambientais de Bolsonaro e atuou como conselheiro especial de Biden quando ele era vice-presidente do governo de Barack Obama.

Em um post de outubro do ano passado no Twitter, ele disse: “Qualquer pessoa, no Brasil ou em outro lugar, que achar que pode promover um relacionamento ambicioso com os EUA enquanto ignora questões importantes como mudança climática, democracia e direitos humanos, claramente não tem ouvido Joe Biden durante a campanha”.

Segundo a BBC, o texto do documento diz que “a aproximação entre Donald Trump e Jair Bolsonaro nos últimos dois anos teria colocado em xeque o papel de Washington como um parceiro confiável na luta pela proteção e expansão da democracia”.

Também informa que “relação especialmente próxima entre os dois presidentes foi um fator central na legitimação de Bolsonaro e suas tendências autoritárias”, e recomenda que Biden assine uma ordem executiva “restringindo as importações de madeira, soja e carne do Brasil, a menos que se possa confirmar que os produtos não estejam vinculados ao desmatamento ou abusos dos direitos humanos”.

A BBC News Brasil apurou que os gabinetes de pelo menos dois parlamentares próximos ao gabinete de Biden — a deputada Susan Wild, presidente do Foreign Affairs Committee, e Raul Grijalva, presidente do Natural Resources Committee revisaram o documento antes do envio.

Pela primeira vez na história dos EUA, Biden nomeou uma mulher indígena para chefiar Department of the Interior, Debra Haaland, e mulheres transexuais para cargos importantes nas áreas de defesa e saúde. Negros, latinos e asiáticos aparecem em número recorde de nomeações do novo governo.

O apoio a estes grupos é o eixo principal do dossiê, que também defende que Biden retire o apoio atual dos EUA para a adesão do Brasil à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e questione a participação do Brasil no G7 e G20 enquanto Bolsonaro for presidente.

O Palácio do Planalto ainda não se manifestou sobre o conteúdo.

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