Biden recebe dossiê pedindo suspensão de acordos com Brasil

Documento obtido pela BBC Brasil recomenda restrição das importações de madeira, soja e carne do Brasil, a menos que se possa confirmar que os produtos não estejam vinculados ao desmatamento ou abusos dos direitos humanos

0
1734
Dossiê foi escrito por professores de universidades além de diretores de ONGs internacionais (foto: flickr)
Pr (foto: flickr)

O dossiê escrito por professores de dez universidades (9 delas nos EUA), além de diretores de ONGs internacionais como Greenpeace EUA e Amazon Watch pede a paralisação de acordos, negociações e alianças políticas dos EUA com o Brasil.

A BBC News Brasil teve acesso ao documento de 31 páginas e reportou que o material foi entregue ao núcleo do governo Biden por meio de Juan Gonzalez, recém-nomeado diretor-sênior para o hemisfério ocidental do National White House Security Committee.

Gonzalez é conhecido por fazer duras críticas às políticas ambientais de Bolsonaro e atuou como conselheiro especial de Biden quando ele era vice-presidente do governo de Barack Obama.

Em um post de outubro do ano passado no Twitter, ele disse: “Qualquer pessoa, no Brasil ou em outro lugar, que achar que pode promover um relacionamento ambicioso com os EUA enquanto ignora questões importantes como mudança climática, democracia e direitos humanos, claramente não tem ouvido Joe Biden durante a campanha”.

Segundo a BBC, o texto do documento diz que “a aproximação entre Donald Trump e Jair Bolsonaro nos últimos dois anos teria colocado em xeque o papel de Washington como um parceiro confiável na luta pela proteção e expansão da democracia”.

Também informa que “relação especialmente próxima entre os dois presidentes foi um fator central na legitimação de Bolsonaro e suas tendências autoritárias”, e recomenda que Biden assine uma ordem executiva “restringindo as importações de madeira, soja e carne do Brasil, a menos que se possa confirmar que os produtos não estejam vinculados ao desmatamento ou abusos dos direitos humanos”.

A BBC News Brasil apurou que os gabinetes de pelo menos dois parlamentares próximos ao gabinete de Biden — a deputada Susan Wild, presidente do Foreign Affairs Committee, e Raul Grijalva, presidente do Natural Resources Committee revisaram o documento antes do envio.

Pela primeira vez na história dos EUA, Biden nomeou uma mulher indígena para chefiar Department of the Interior, Debra Haaland, e mulheres transexuais para cargos importantes nas áreas de defesa e saúde. Negros, latinos e asiáticos aparecem em número recorde de nomeações do novo governo.

O apoio a estes grupos é o eixo principal do dossiê, que também defende que Biden retire o apoio atual dos EUA para a adesão do Brasil à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e questione a participação do Brasil no G7 e G20 enquanto Bolsonaro for presidente.

O Palácio do Planalto ainda não se manifestou sobre o conteúdo.