Antonio Tozzi Esportes

Boletim da Copa | Duelos sensacionais nas quartas de final da Copa do Mundo Catar 2022

Torcedores comemoram gols do Brasil contra a Coreia do Sul pela Copa do Mundo Catar 2022, no Fifa Fan Festival, em Copacabana, no Rio de Janeiro (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)
Torcedores comemoram gols do Brasil contra a Coreia do Sul pela Copa do Mundo Catar 2022, no Fifa Fan Festival, em Copacabana, no Rio de Janeiro (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

Chegou a hora de beber água. Deixando de lado, o ditado comumente usado para denominar momentos decisivos na vida, faremos uma análise dos quatro confrontos das quartas de final da Copa do Mundo Catar 2022. Com exceção da zebra Marrocos, que surpreendeu a favorita Espanha, os outros sete candidatos reúnem condições de levantar a taça no domingo, 18 de dezembro, em Doha, no Catar.

Brasil é favorito contra Croácia

A Croácia é atual vice-campeã mundial, pois perdeu a final de 2018 para a França na Rússia. A equipe tem jogadores de ótima qualidade, como Modric, Brozovic, Kovacic e Perisic, entre outros. O técnico da seleção dos Balcãs, Zlatko Dalic, porém, afirmou que a favorita é a seleção brasileira, tanto pela campanha que vem fazendo na Copa do Mundo quanto pela qualidade dos jogadores do nosso escrete.

O Brasil, por sua vez, não se pode furtar de assumir o favoritismo. Sem ser “pacheco”, realmente o time comandado por Tite tem todas condições de se tornar hexacampeão. A seleção tem três ótimos goleiros, com Allison escolhido como titular. Os outros dois são Ederson e Weverton. O sistema defensivo é dos melhores, e o Brasil tomou apenas dois gols na Copa até agora, sendo que um deles foi na derrota para Camarões, quando atuou com a equipe reserva.

O ataque, apesar da baixa de Gabriel Jesus, tem muitas opções, com os pontas Vinicius Jr. e Raphinha e Richarlison como centro-avante. Além deles, Tite ainda conta com Antony, Gabriel Martinelli, Pedro e Rodrygo. Deixei Neymar para a posição de meiocampista, porque ele hoje se transformou no articulador das jogadas, distribuindo bolas para os atacantes. E o Brasil ainda conta com Casemiro (que está jogando demais), Fred, Fabinho, Bruno Guimarães e Everton Ribeiro.

Palpite: Brasil deve ir às semifinais
Desejo: Brasil rumo ao hexa

Argentina x Holanda: choque de titãs

Essa é a última Copa do Mundo para Lionel Messi – um dos maiores jogadores de futebol de todo planeta. O craque argentino conquistou todos os títulos possíveis que disputou, falta apenas se sagrar campeão mundial com a Albiceleste.

A seleção dos hermanos no Catar tem todas credenciais para seguir na competição. Deve-se destacar o bom trabalho do técnico Lionel Scaloni. Ele assumiu a seleção sul-americana na condição de temporário, mas soube se impor e hoje conta com o respeito do elenco e reconhecimento da imprensa e da torcida.

O sistema defensivo argentino não é o ponto forte da equipe, tanto que falhou bisonhamente na (inesperada) derrota para a Arábia Saudita. O goleiro Emiliano Martinez também não figura entre os melhores da posição, embora venha atuando bem no torneio.

O meio campo da Argentina conta com bons jogadores e Scaloni descobriu soluções dentro do próprio elenco, uma vez que ele perdeu seu titular Giovanni Lo Celso pouco antes da competição começar. Enzo Fernandez e Mac Allister subiram de produção e supriram a ausência do titular. O forte da equipe, porém, é seu poder de fogo. Mesmo com Lautaro Martinez com atuações decepcionantes, Scaloni escalou Julian Alvarez, que vem correspondendo. E não se pode esquecer os dois principais jogadores do time: Angel di Maria e Lionel Messi, loucos para faturar o título que lhes falta.

O sonho argentino, no entanto, pode se desfazer diante de um adversário poderoso: Holanda. O time europeu, ao contrário de sua tradição, tem o forte em seu sistema defensivo, onde se destaca o zagueiraço Virgil Van Dijk. O goleiro Norpert também vem fazendo uma campanha bem segura. Até agora, a seleção holandesa sofreu apenas dois gols: um no empate com o Equador e outro na vitória sobre os EUA. Além de Van Dijk, a linha defensiva é formada por Ake e Timber e dá-se ao luxo de ter De Ligt na reserva. Para completar, os alas Dumfries e Blind são ofensivos e participam bastante do jogo.

No meio campo Frenkie de Jong flutua à frente da zaga e inicia os ataques da “Laranja Mecânica”. O jogador do Barcelona tem como companheiros Steven Berghuis (Ajax), Davy Klassen (Ajax), Teun Koopmeiners (Atalanta), Marten De Roon (Atalanta), Kenneth Taylor (Ajax), Xavi Simons (PSV) e Cody Gakpo (PSV), que vem sendo o grande destaque do time.

O ataque conta com Memphis Depay (Barcelona), Steven Bergwijn (Ajax), Vincent Janssen (Antwerp), Luuk De Jong (PSV), Noa Lang (Club Brugge) e Wout Weghorst (Besiktas). Depay é a principal figura, e é o segundo maior artilheiro da seleçào holandesa, um gol apenas atrás de Robin van Persie.

Palpite: Equilíbrio, com leve favoritismo para a Holanda
Desejo: Argentina

A força defensiva marroquina contra o ataque avassalador português

Marrocos, quem diria, está nas quartas de final de uma Copa do Mundo pela primeira vez em sua história. E a força do time reside na defesa. É o quadrifinalista que menos sofreu gols, apenas um na vitória de 2 a 1 sobre o Canadá. E também o que menos gols marcou: quatro, dois contra Bélgica e dois contra a seleção da América do Norte.

O goleiro Yassine Bounou, do Sevilla, que se destacou na decisão por pênaltis, lidera uma defesa bastante sólida, que conta com Achraf Hakimi (PSG), Noussair Mazraoui (Bayern de Munique), Jawad El Yamiq (Valladolid), Romain Saïss (Besiktas) e Nayef Aguerd (West Ham).

Sofyan Amrabat, da Fiorentina, é o esteio do meio campo marroquino. Ele conta com a parceria de  Azzedine Ounahi (Angers), Abdelhamid Sabiri (Sampdoria), Selim Amallah (Standard Liège), Yahya Jabrane (Wydad AC) e Bilal El Khannous (Genk).

Hakim Ziyech, do Chelsea, é o craque marroquino, que tem como coadjuvantes Zakaria Aboukhlal (Toulouse), Sofiane Boufal (Angers), Youssef En-Nesyri (Sevilla), Ez Abde (Osasuna), Amine Harit (Olympique de Marselha), e Walid Cheddira (Bari).

A “zebra”, depois de eliminar a Espanha, terá outro país ibérico pela frente: Portugal. O massacre dos “Navegadores” sobre a Suíça deve ter assustado o técnico marroquino Walid Regragui. E não é sem razão.

Recheada de craques, a seleção de Portugal tem-se dado ao luxo de deixar no banco sua principal figura nas duas últimas décadas: Cristiano Ronaldo. No ocaso de sua carreira, ele se irritou por ter sido substituído no segundo tempo, na derrota de Portugal para a Coreia do Sul, e sobretudo por ser preterido por Gonçalo Ramos, centro-avante de 21 anos, que joga pelo Benfica. Para surpresa de todos, a decisão do técnico Fernando Santos se revelou acertada. O jovem fez o primeiro hat trick da Copa do Mundo Catar 2022, e calou a boca dos críticos.

Fernando Santos, aliás, vem demonstrando ter o elenco nas mãos. Ele troca constantemente seus jogadores e o rendimento não cai. Os pilares do bom futebol praticado pela seleção portuguesa são os meias Bruno Fernandes (Manhcester United) e Bernardo Silva (Manchester City), além de João Félix (Atlético de Madrid), atacante de muita movimentação.

A defesa tem Rubén Dias como destaque, e o brasileiro Pepe (naturalizado português) teve de sair da reserva para substituir Danilo, que fraturou uma costela e está fora do torneio. Aliás, Pepe se tornou o jogador mais velho a marcar um gol em uma Copa do Mundo. Pepe, de 39 anos, marcou um gol de cabeça na goleada sobre a Suíça nas oitavas de final.

Além de Cristiano Ronaldo e Gonçalo Ramos, Portugal tem os atacantes Rafael Leão (AC Milan). Ricardo Horta (Braga),  André Silva (RB Leipzig). Não é à toa que Portugal tem o ataque mais poderoso da Copa do Mundo Catar 2022, ao lado da Inglaterra.

Palpite: Portugal
Desejo: Portugal

Jogo mais equilibrado das quartas de final: Inglaterra x França

Atual campeã, a França chegou no Catar com status de favorita, ao lado as principais potências. Apesar da derrota no último jogo da fase de grupos para Tunísia por 1 a 0, ao usar o time reserva, os franceses têm confirmado sua força. E olha que os Les Bleus perderam mutios convocados antes do início da Copa do Mundo, como Kimpembe, Kanté, Benzema e Pogba, entre outros.

No gol, Hugo Lloris (Tottenham), reina absoluto. O capitão da seleção francesa garante segurança no arco e é sinônimo de tranquilidade. Steve Mandanda (Stade Rennes) e Alphonse Aréola (West Ham) são seus reservas.

A defesa tem Raphaël Varane (Manchester United), Théo Hernandez (AC Milan), Benjamin Pavard (FC Bayern), Dayot Upamecano (FC Bayern), Jules Koundé (FC Barcelona), William Saliba (Arsenal), Ibrahima Konaté (Liverpool) e Axel Disasi (AS Monaco). ironicamente Lucas Hernandez (FC Bayern) se lesionou na estreia e foi substituído por seu irmão Théo na lateral esquerda.

O meio campo conta com Adrien Rabiot (Juventus), Aurélien Tchouaméni (Real Madrid), Mattéo Guendouzi (Marseille), Jordan Veretout (Marseille), Youssouf Fofana (Monaco) e Eduardo Camavinga (Real Madrid), mas o destaque vem sendo Antoine Griezmann (Atlético Madrid), que se transformou em um meia armador bastante habilidoso.

O ataque tem o artilheiro Olivier Giroud (AC Milan), Ousmane Dembélé (FC Barcelona), Christopher Nkunku (RB Leipzig), Kingsley Coman (FC Bayern), Marcus Thuram (Borussia Mönchengladbach) e o astro Kylian Mbappé (PSG), apontado como melhor jogador deste torneio até agora e artilheiro da competição, com cinco gols.

Ou seja, Mbappé precisa ser a grande preocupação da seleção inglesa, se o English Team deseja carimbar sua passagem à semifinal.

Entretanto, se a França tem Mbappé, a Inglaterra possui um punhado de excelentes jogadores e um conjunto bem armado pelo técnico Gareth Southgate, criticado até mesmo em seu país.

O goleiro Jordan Pickford (Everton) está fazendo uma boa campanha até agora. Ele sofreu apenas dois gols até agora e viu seu ataque marcar 12 gols. Os outros goleiros são Aaron Ramsdale (Arsenal) e Nick Pope (Newcastle), que também têm bom nível, sem serem excepcionais.

Na defesa, os titulares são o contestado Harry Maguire (Manchester United) e John Stones (Manchester City). Eric Dier (Tottenham), Conor Coady (Everton) e Benjamin White (Arsenal) também jogam com frequência. Os laterais Kieran Tripper (Newcastle United), Luke Shaw (Manchester United), Kyle Walker (Manchester City) e Trent Alexander-Arnold (Liverpool) se revezam.

O meio campo tem Jordan Henderson (Liverpool), Declan Rice (West Ham), Mason Mount (Chelsea), James Maddison (Leicester City), Kalvin Phillips (Manchester City), Conor Gallagher (Chelsea) e Jude Belliingham (Borussia Dortmund), único jogador do elenco que não atua na Premier League. Aliás, ele vem sendo um dos destaques do time britânico e tem apenas 19 anos.

O ataque também é poderoso e permite a Southgate fazer várias formações sem perder qualidade. Comandados pela estrela Harry Kane (Tottenham), os atacantes ingleses são bastante agudos e o revezamento mantém o poder de artilharia, com  Raheem Sterling (Chelsea), Jack Grealish (Manchester City), Bukayo Saka (Arsenal), Phil Foden (Manchester City), Callum Wilson (Newcastle United) e Marcus Rashford (Manchester United).

Nesse clássico europeu, qualquer um pode ser vencedor. Duelo dos mais esperados do torneio.

Palpite: Muito equilíbrio, com leve favoritismo para França por causa do Mbappé
Desejo: Inglaterra