Brasil fecha Eliminatória com chave de ouro

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Apesar de o Campeonato Brasileiro ter voltado com tudo, vamos dedicar esta coluna às Eliminatórias para a Copa do Mundo 2018. A noite de quarta-feira, 10 de outubro de 2017, foi de honra, estilo e pavor para algumas seleções sul-americanas. Como não podia deixar de ser, começamos pelo Brasil. Mais uma vez a Seleção Brasileira de Futebol confirmou porque é uma das favoritas à conquista do título na Rússia. Após um primeiro tempo modorrento, quando deu a impressão de que estava apenas cumprindo tabela, a seleção comandada por Tite voltou com outra attitude na segunda etapa e mostrou um arsenal de boas jogadas, variações e definições, fechando as Eliminatórias da Conmebol com números indiscutíveis: 41 pontos, 12 vitórias, 5 empates e apenas 1 derrota – 41 gols marcados, 10 sofridos e saldo positivo de 31 gols. A destacar, o ótimo desempenho da Seleção Brasileira após Tite ter assumido: Em 12 jogos sob o comando do treinador, a Seleção pulou da sexta para a primeira posição com dez vitórias e dois empates. Foram 32 pontos ganhos, 30 gols marcados e apenas três sofridos. O vice-líder Uruguai, em 18 jogos, conquistou 31 pontos. Mais do que isto, Tite em pouco tempo conseguiu encontrar seu time titular que deve brilhar nos campos russos, a não ser que haja uma lesão inesperada de uma das estrelas da equipe. Outro ponto positivo foi a seriedade adotada. Mesmo classificada antecipadamente, jogou com seriedade todas as partidas mesmo as duas últimas contra Bolívia em La Paz (empate em 0 a 0, graças à ótima atuação do goleiro adversário) e na despedida em São Paulo que marcou o novo recorde de arrecadação em jogo de futebol no Brasil. A partida no Allianz Parque, estádio do Palmeiras, teve uma renda de $ R$ 15.118.391,02. Os 41.009 presentes pagaram um ticket médio de R$ 368 para ver a vitória de 3 a 0 do Brasil sobre o Chile. Os gols da vitória foram assinalados por Paulinho e dois de Gabriel Jesus, que lembrou com carinho seus tempos de jogador palmeirense. Ele, aliás, foi o artilheiro do Brasil com 7 gols, junto com Messi (Argentina), Alexis Sanchez (Chile) e Felipe Caicedo (Equador). O goleador máximo das Eliminatórias da Conmebol foi o uruguaio Edinson Cavani, companheiro de Neymar no SPG, com 10 gols.

Uruguai sem traumas

E Cavani foi autor de um dos gols do Uruguai na goleada de 4 a 2 sobre a Bolívia no Estádio Centenário em Montevidéu. Os outros gols foram de Luizito Suarez (2) e Diego Cáceres. O mesmo Cáceres marcou gol contra, assim como o zagueiro Godin. Ou seja, os seis gols da partida foram anotados por jogadores uruguaios. Assim, a Celeste Olímpica encerrou as Eliminatórias da Conmebol em segundo lugar e já se prepara para surpreender os favoritos na Rússia no próximo ano. O forte da Seleção Uruguai sem dúvida é sua dupla de ataque. Cavani e Suarez são atacantes acima da média e, com ambos em boa fase, fica difícil o Uruguai deixar de marcar pelo menos um gol por partida. O esquema do técnico Oscar Washington Tabarez privilegia a marcação, com destaque para os zagueiros Godin e Gimenez, que atuam no Atlético de Madrid. Vale ressaltar que Tabarez vem alterando o setor de meio campo que estava envelhecido e sem criatividade. Assim, Vecino, Valverde, Betancur e o cruzeirense De Arrascaeta estão ganhando posições e rejuvenescendo uma seleção que carecia de talento neste setor.

Ave Messi!

A Argentina viveu momentos de tensão nestas eliminatórias. Sem ter feito nenhuma partida brilhante, a Albiceleste entrou na última partida sob risco de ficar de fora da principal competição futebolística entre seleções. Afinal, a Seleção Argentina figurava apenas na quinta posição, ou seja, estava indo para a repescagem. Para complicar ainda mais as coisas, o jogo decisivo contra o Equador estava marcado para Quito, e os argentinos não venciam um jogo na altitude há mais de uma década. Dez anos atrás, Messi marcou uma única vez em altitude na derrota da Argentina para a Colômbia por 2 a 1 em Bogotá. Para piorar o cenário, em uma jogada rápida, Romario Ibarra abriu o placar para os equatorianos antes do primeiro minuto de partida. Entretanto, do outro lado estava Lionel Messi que estava disposto a mostrar porque é o melhor jogador do planeta. Dez minutos depois em uma boa tabela com Di Maria (o único jogador do time que consegui acompanhar um pouco o nível de Messi), “La Pulga” anotou o gol de empate e chamou seus companheiros para o jogo. Outra boa jogada de De Benedetto, Di Maria e Messi culminou em um belo gol de Messi que bateu a carteira do indeciso zagueiro Arboleda. Consumada a virada, os jogadores argentinos, mais experientes, começaram a tocar a bola e aproveitaram o fato da tática equivocada do Equador, cujo meio campo inexistia. Na segunda etapa, outra jogada genial de Messi, que colocou a bola no ângulo de Banguera, definiu o placar: 3 a 1 para Argentina e passaporte carimbado para Rússia em 2018.

Jogo de compadres agrada os dois

Em Lima, uma partida perigosa. Tanto Peru como Colômbia tinham chances de se classificar diretamente, ir para a repescagem ou ficar de fora da Copa do Mundo. Por isto, o jogo era cauteloso com os dois times com medo de arriscar e ser surpreendido pelo adversário. Até que na segunda etapa uma boa tebela entre Falcão e James Rodriguez culminou no gol do meia do Bayern de Munique e calou a imensa torcida peruana que lotou o Estádio Nacional. Porém, uma cobrança magistral do artilheiro flamenguista Paolo Guerrero colocou os números finais no marcador. Com o empate em 1 a 1, a Colômbia assegurou a classificação direta para a Copa do Mundo enquanto o Peru jogará a repescagem com a Nova Zelândia, campeã da Oceania, nos dias 6 de novembro em Wellington e 14 de novembro em Lima. Pelo nível apresentado, a Seleção do Peru desponta como favorita e o técnico argentine Ricardo Gareca pode levar a Seleção Peruana a uma Copa do Mundo depois de 36 anos de espera.

As decepções sul-americanas

Chile e Paraguai foram as grandes decepções nas Eliminatórias da América do Sul. O Chile foi goleado em São Paulo pela Seleção Brasileira e, com isto, perdeu a oportunidade de pelo menos disputar a repescagem porque terminou a fase de classificação com os mesmos 26 pontos anotados pelo Peru, porém, ao perder para o Brasil por 3 a 0 ficou com saldo negativo de 1 gol enquanto o Peru terminou com saldo positivo de 1 gol. Ser goleado pelo Brasil no campo adversário é até mesmo um resultado normal, porém, faltou aos atletas da “La Roja” mais atitude nas outras partidas. Isto marca a despedida de uma geração talentosa de jogadores como Arturo Vidal, Alexis Sancez, Eduardo Vargas e Jorge Valdivia, entre outros, que são os atuais bicampeões da Copa América. O Paraguai também desperdiçou uma chance de ouro ao ser derrotado em casa pela fraca Seleção Venezuelana que venceu apenas dois jogos em 18 disputados e terminou na lanterna da Eliminatória da América do Sul com 12 pontos. Uma vitória simples daria ao Paraguai a chance de ir à Copa do Mundo através da repescagem, mas o sonho se transformou em pesadelo no Estádio Defensores del Chaco. Outra decepção ficou para o Equador que iniciou a Eliminatória da América do Sul com tudo, assinalando 13 pontos de 15 disputados, fruto de 4 vitórias e 1 empate em 5 jogos disputados. Porém, nas outras 13 partidas, os equatorianos conseguiram somar apenas 5 pontos mais e ficaram com 20 pontos na antepenúltima colocação. Ao perder para Argentina na terça-feira (10), estabeleceram novo recorde: o de seis derrotas consecutives em uma só eliminatória. Por fim, Bolívia, com 14 pontos, e Venezuela, com 12 pontos ganhos, somente confirmaram o que delas se esperava, pois são mesmo as piores seleções do subcontinente.

EUA: a grande decepção das Eliminatórias

O mundo já se habituara com a presença da Seleção dos Estados Unidos nos Mundiais. Porém, em 2018, a star and stripes flag não tremulará nos estádios russos. A pífia apresentação diante do fraco selecionado de Trinidad & Tobago em Port of Spain resultou na derrota de 2 a 1 para a equipe local e a consequente eliminação dos EUA da Copa do Mundo da Rússia. A combinação de resultados foi fatal para os americanos. Honduras enfrentou o México em San Pedro Sula e bateu a Seleção Mexicana também pelo placar de 3 a 2 tirando a invencibilidade da equipe dirigida por Juan Carlos Osorio na Eliminatória da Concacaf, que já estava classificada para o Mundial na Rússia. No final da partida entre Panamá e Costa Rica, realizada na Cidade do Panamá, os panamenhos marcaram o gol da vitória sobre a também classificada Costa Rica e garantiram sua vaga na Copa do Mundo, ao lado de mexicanos e costarricenses. Os hondurenhos, por sua vez, decidirão seu destino contra Austrália em 6 de novembro em San Pedro Sula e em 14 de novembro em Sidney. O vencedor do confronto irá à Copa do Mundo. A decepção americana ficou ainda pior pois bastava um mero empate com Trinidad & Tobago (que venceu apenas dois jogos na Eliminatória da Concacaf) para se classificar. O time caribenho abriu o placar com um gol contra do zagueiro Gonzalez e ampliou com um golaço de Alvin Jones. Christian Pulisic, talvez o melhor jogador americano da atualidade, diminuiu para 2 a 1, mas a equipe de Bruce Arena foi incapaz sequer de alcançar o empate e não pode culpar ninguém a não ser eles mesmos por este resultado catastrófico. Os EUA vinham participando dos Mundiais desde 1986 e agora a torcida é para que esta decepção leve à uma reflexão dos dirigentes locais para melhorar o nível do futebol dos EUA, pois o soccer está em plena expansão no país. Vale destacar que a Austrália garantiu sua presença na repescagem depois de ter eliminado a Síria por 2 a 1 na repescagem asiática.

Portugal já está na Copa

Muito se comentava do temor dos amantes do futebol sobre a possibilidade de a Copa do Mundo na Rússia ficar privada do talento dos maiores expoentes do futebol atual: Cristiano Ronaldo e Lionel Messi. Se Messi garantiu sua Argentina na competição, Portugal também estará lá, graças à vitória de 2 a 0 sobre a Suíça no Estádio da Luz em Lisboa. Embora não tenha brilhado neste jogo – os gols foram de Djourou (contra) e André Silva -, Cristiano Ronaldo foi o grande condutor da equipe nas Eliminatórias da UEFA. Aliás, Portugal e Suíça fizeram campanhas idênticas no Grupo B, com 9 vitórias e 1 derrota (cada um venceu em sua casa). A classificação portuguesa ocorreu pelo critério de saldo de gols: 28 gols a favor de Portugal contra os 16 da Suíça.

Outros classificados europeus

No Grupo A, França foi a vencedora e já está na Copa. Suécia e Holanda terminaram com 19 pontos ganhos cada, porém, a Suécia vai para a repescagem por ter um saldo melhor do que a Holanda – 17 contra 9 dos holandeses. A Laranja Mecânica não vai encantar o mundo e alguns antigos craques como Arje Robben já anunciaram sua aposentadoria da Seleção Holandesa. Ou seja, a terceira colocada no Mundial do Brasil terá de ver a Copa pela TV, enquanto os suecos tentarão voltar à uma Copa do Mundo depois de 12 anos. No Grupo C, Alemanha foi campeão indiscutível, com aproveitamento de 100% e Irlanda do Norte vai para repescagem. No Grupo D, Sérvia vence e se classifica e Irlanda jogará a repescagem. No Grupo E, Polônia carimba seu passaporte e Dinamarca está na repescagem. No Grupo F, Inglaterra é campeã, mas Eslováquia, segunda no grupo, também está fora. Por ter obtido apenas 18 pontos, foi a pior segunda colocada em todos grupos e portanto eliminada. Explicando melhor: Europa tem 9 grupos e 13 vagas, assim somente 8 seleções disputarão as 4 vagas restantes. Grupo G: Espanha cllassificada e Itália na repescagem. Grupo H: Bélgica está na Copa e Grécia vai para repescagem. Grupo I: Islândia é campeã e Croácia está na repescagem. Classificação da Islândia foi um fenômeno. Ela venceu um grupo onde estavam Ucrânia e Turquia, além da Croácia – todas com melhor ranking. Além disto, torna-se o país menos populoso a ir à uma Copa do Mundo, pois tem menos de 335 mil habitantes. Ela já havia supreendido ao se classificar para Eurocopa e agora chegou ao ápice. Em novembro, serão conhecidas as outras quatro seleções europeias que participarão da Copa do Mundo na Rússia.

Outros continentes

Ásia há muito tempo já definiu seus participantes: Irã, Coreia do Sul, Japão e Arábia Saudita. Pode ainda ter outro representante, caso Austrália vença Honduras na repescagem. Na estranha geografia da Fifa, Austrália é agora um país asiático. Na África, dividida em 5 grupos, 2 seleções já estão classificadas: Nigéria, campeã do Grupo B e Egito, vencedor do Grupo E. Os outros grupos só serão definidos em novembro. No Grupo A, Tunísia precisa apenas de um empate em casa no jogo contra a Líbia, em 11 de novembro. Congo precisa vencer Guiné e torcer pela derrota dos tunisinos. No Grupo C, um choque direto para definir quem vai para a Copa do Mundo. Costa do Marfim joga em Abidjan contra Marrocos e precisa vencer para se classificar. Empate classifica os marroquinos. Finalmente o Grupo D, o mais embolado de todos Senegal lidera com 8 pontos em 4 partidas e enfrenta África do Sul, lanterna com 4 pontos, mas com 4 partidas jogadas. Ambos se enfrentam em Dakar e uma vitória dos senegaleses praticamente define o grupo. Burkina Faso e Cabo Verde, ambas com 6 pontos em 5 jogos, têm chances remotas de se classificar.

Cabeças de chave da Copa do Mundo

O sorteio dos grupos da Copa vai acontecer em 1º de dezembro de 2017, no Palácio Estatal do Kremlin, em Moscou. Os 32 times serão divididos em potes de acordo com seu coeficiente na Fifa. A Rússia será a cabeça de chave A, por ser o país sede. Além dela, são cabeças de chave Brasil, Argentina, Alemanha, França, Portugal, Bélgica e Polônia. No fim, serão quatro campeões do mundo como cabeças de chave (Alemanha, Brasil, Argentina e França), enquanto os outros quatro (Espanha, Inglaterra, Itália e Uruguai) ficam no pote 2 – desde que os italianos confirmem a vaga na repescagem europeia. Interessante notar que Estados Unidos (campeão da Concacaf), Chile (bicampeão da Copa América) e Camarões (campeão da África) estão fora da Copa do Mundo. Até agora apenas Portugal, campeã da Eurocopa, se garantiu na Copa do Mundo da Rússia, porque Austrália, atual campeã da Ásia, ainda jogará uma repescagem contra Honduras para se classificar.