Brasil volta a registrar entrada de dólares após dois anos de saídas

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DA REDAÇÃO, COM G1 – Como em toda crise econômica, há um lado bom. No caso do Brasil é que após dois anos de retiradas de recursos da economia brasileira, os dólares voltaram a entrar no país em 2015. Segundo divulgou o Banco Central na quarta-feira (6), o ingresso de divisas superou a saída de valores no Brasil em $9,41 bilhões em todo ano passado. Em 2013 e 2014, respectivamente, $12,26 bilhões e $9,28 bilhões saíram do país.

A entrada de recursos favoreceria, em tese, a queda do dólar. Segundo matéria do portal G1, isso porque, com mais moeda norte-americana no mercado, seu preço tenderia, teoricamente, a ficar menor. Entretanto, o ingresso de recursos não impediu a disparada da moeda norte-americana, que avançou quase 50% no ano passado, a maior alta em 13 anos.

Além do fluxo de recursos, outros fatores também influenciam a cotação do dólar no Brasil. Entre elas, estão as sinalizações sobre a política de juros dos Estados Unidos, os indicadores da economia brasileira – que registraram desempenho ruim em 2015 – além de tensões políticas e notas das agências de classificação de risco (no ano passado, o Brasil perder o grau de investimento por duas das três maiores agências de ratings.

Dólar a R$ 5
Segundo o especialista no mercado de câmbio, Sidnei Moura Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora, a disparada do dólar no ano passado se deve à queda das importações (que geram menos retiradas de recursos do país), por conta da recessão na economia brasileira, e, também, aos problemas políticos e às perspectivas ruins para a economia brasileira.

Embora o mercado financeiro esteja prevendo o dólar em R$ 4,20 no fim de 2016, segundo pesquisa com mais de 100 instituições financeiras realizada na semana passada pelo Banco Central, Nehme acredita que o dólar terminará este ano por volta de R$ 5.

“A perspectiva que a gente tem para 2016 não é diferente do que 2015, com um fato novo se destacando: o desemprego. Em 2016, vamos ter acentuadamente mais desemprego e isso impacta na renda e no consumo”, avaliou, em entrevista ao G1.