Brasileira que se passava por advogada é presa na Flórida

Durante anos, Roberta Guedes atuou ilegitimamente em vários processos envolvendo causas imigratórias e de direito da família

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Roberta Guedes foi condenada por fraude postal e roubo de identidade agravado (Foto: Nick Youngson – Stock Image)
Grupo criou várias empresas de fachada nos EUA (Foto: Nick Youngson – Stock Image)

A brasileira Roberta Guedes, 41, foi condenada a quatro anos e meio de prisão federal pelo exercício ilegal do direito no estado da Flórida.

O processo aberto contra ela no final de 2019, a acusava de ter atuado ilegitimamente em vários casos envolvendo causas imigratórias e direito da família. Na época, ela admitiu a fraude.

Com sentença dada nesta segunda-feira (22) pelo juiz James Moody Jr., do tribunal de Tampa, além da prisão, Roberta terá que restituir as vítimas em $ 14.318. Ela também terá que se submeter a um tratamento psiquiátrico.    

“Durante anos, Guedes se envolveu em um esquema descarado de fraude e engano sobre nossas instituições legais e financeiras”, disse o Homeland Security Assistant Special Agent , Hector Colon. “Graças ao HSI, aos agentes especiais do USCIS e ao Departamento de Polícia, ela será responsabilizada por seus crimes”, completou.

“As ações ilegais da acusada abusaram da confiança depositada nela por clientes”, disse o diretor distrital do U.S Immigration and Customs Enforcemente (USCIS), Michael Borgen. “O USCIS se dedica a identificar e expor esquemas de fraude de imigração, e estamos orgulhosos de ter feito uma parceria com o ICE e o Ministério Público dos EUA para encerrar essa prática ilegal e enganosa.”

Em 2014, a brasileira graduou-se em direito na Stetson University College of Law, em Tampa, FL. Mas reprovou duas vezes no Flórida Bar exam. Sem a aprovação, o candidato não é autorizado a exercer a advocacia.

A saída encontrada por Roberta foi falsificar os documentos de uma colega da faculdade que havia passado no teste, Agnieszka Piasecka.

Segundo os relatos policiais , ela usou nome, social security e outros dados pessoais de terceiros para abrir contas em bancos e aprovar linhas de crédito. Com as empresas em funcionamento, ela começou a prestar serviços como advogada.

O esquema da brasileira foi descoberto em 2018, quando ela apareceu na Corte de Hillsborough para tratar de um caso de violência doméstica de outro cliente.

Na ocasião, o juiz, Frances Perrone, pediu para verificar o registro da pretensa advogada. Como não encontraram, iniciou-se uma pesquisa pelo escritório de advocacia que ela representava, e uma investigação foi instaurada.

Roberta Guedes foi condenada pelos crimes de fraude postal, roubo de identidade agravado.