Brasileiro membro da OEA é acusado de estupro nos EUA

Ele chegou a ser preso acusado pelo crime contra uma universitária embriagada; brasileiro nega o crime

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Rafael Schincariol
Rafael Schincariol

DA REDAÇÃO, COM O GLOBO – O brasileiro Rafael Schincariol, de 34 anos – defensor de Direitos Humanos, ex-coordenador-geral da Comissão de Mortos e Desaparecidos da Presidência da República e consultor da Organização dos Estados Americanos (OEA) – foi preso na semana passada na Louisiana acusado de estuprar uma universitária. Segundo a polícia, a jovem estaria embriagada. O crime ocorreu depois de Rafael ministrar uma palestra na Universidade Tulane, na Louisiana. O brasileiro nega ter cometido o crime e foi solto depois de pagar fiança $25 mil. Uma audiência está marcada para ocorrer no dia 29 de maio.

O fato teria ocorrido no último dia 11 de fevereiro, mas só foi registrado um mês depois. Após sua palestra na universidade, segundo informado pela imprensa local e também noticiado pelo “O Estado de S. Paulo” nesta quinta-feira, Schincariol saiu para beber com três estudantes. No fim da noite, levou uma das universitárias, muito embriagada, para a casa dela. A estudante enviou mensagem para o namorado, durante a madrugada, dizendo que estava muito bêbada e que iria para casa de carona. O rapaz chegou à residência da namorada pouco tempo depois, a tempo de flagrar os dois em ato sexual.

A estudante alega que estava desacordada e, por isso, Schincariol está sendo acusado de estupro de terceiro grau, com pena máxima de 25 anos. O caso está em análise preliminar, e a Justiça local decidirá dia 29 de maio se aceita ou não a acusação contra o brasileiro. A garota, sem idade e nome revelados, afirmou que não se lembra do que ocorreu, apenas que teria sentido dor pela penetração anal forçada por Schincariol. O namorado da universitária disse que ela estava “atordoada” no momento, segundo a imprensa local.

Brasileiro alega inocência

O advogado de Schincariol, Rodrigo Lentz, afirmou em nota que seu cliente é inocente. “Até o presente momento, ele foi apreendido pela polícia e foi liberado em audiência com o juiz estadual em New Orleans. Ele cooperou com as autoridades durante todo o processo, e a denúncia está sendo revisada conforme o devido processo legal. Estamos confiantes que, uma vez concluída a revisão desta denúncia, Rafael será rapidamente liberado e provado que não cometeu nenhum ato ilegal. É relevante destacar que ele é presumido inocente e espera que este episódio seja superado o quanto antes”, escreveu.

O consulado brasileiro em Washington afirma que está prestando apoio ao caso. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) afirma, em nota, que ele estava na universidade como especialista independente e não como representante do organismo ou da OEA.

OEA suspende brasileiro

Em nota, a OEA informou que até o caso ser esclarecido, Schincariol estará suspenso da entidade. Este tipo de acusação é uma das mais polêmicas nos EUA, por ser difícil identificar até que ponto a embriaguez contribuiu para a relação sexual, seja em um ato forçado ou se a pessoa consentiu sem ter muita certeza do que estava fazendo.

Até lá, além da defesa técnica que o está acompanhando nos Estados Unidos, uma equipe de advogados no Brasil luta para provar a sua inocência. Um deles é Rodrigo Lentz, que afirmou que a opinião pública precisa de uma explicação.

Segundo Rodrigo Lentz, Schincariol está morando há menos de um ano nos Estados Unidos, para onde se mudou a trabalho.

“O Rafael está morando no mesmo local. Essa acusação é uma situação muito delicada. Ele (Rafael) e nós somos contra a cultura do estupro. Ele vai se defender e vai provar a sua inocência”, disse Rodrigo ao jornal O Globo.