Brasileiro se destaca nos papeis mais importantes do ballet clássico nos EUA

Com uma trajetória de superação, o carioca Iago Breschi se tornou o bailarino principal da companhia de ballet de San Diego e brilha nos palcos dos EUA

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Iago Bresche no papel de Apollo, by George Balanchine, San Diego (CA) (Foto: Divulgação)
Iago Breschi no papel de Apollo, by George Balanchine, San Diego (CA) (Foto: Divulgação)

Quem assiste ao brasileiro Iago Breschi se destacar como bailarino principal do City Ballet de San Diego, na Califórnia, não imagina o que o jovem de 24 anos superou para viver seu sonho.

Iago desembarcou nos EUA em 2013 para estudar balé no Miami City Ballet School quando tinha apenas 16 anos. De Miami, ele passou pelo Atlanta Ballet e depois para o City Ballet of San Diego, onde está atualmente.

Na Califórnia, o brasileiro protagoniza alguns dos papeis masculinos mais importantes do ballet clássico, como “Rubies”, de George Balanchine e “Giselle”, de Albrecht de Pas De Payasant.

No papel de Apollo, uma das maiores realizações artísticas de Balanchine, que retrata um jovem deus que é guiado até a idade adulta pelas musas da poesia, da música e da dança, Iago foi citado pelos críticos por “hipnotizar o público”. 

“Breschi, um bailarino elegante, conhecido por executar 32 entrechats consecutivos (saltos verticais com tesouras de pernas para a frente e para trás), foi escolhido para o papel de Apollo”, escreveu o jornal americano The San Diego Union-Tribune. 

Mas a carreira de Iago nem sempre foi glamour. De família humilde do Rio de Janeiro, ele teve que enfrentar a falta de recursos e o preconceito para estudar a dança. 

Iago Breschi e Ariana Gonzalez performam ”O Quebra Nozes” Spreckels Theatre, San Diego (CA) (Foto: Divulgação)
Iago Breschi e Ariana Gonzalez performam ”O Quebra Nozes”, no Spreckels Theatre, San Diego (CA) (Foto: Divulgação)

“Para minha família, bailarino não era uma profissão. Eu era órfão de pai e minha mãe vendia salada de frutas para sustentar a mim e a meu irmão. Não tínhamos dinheiro para comprar sapatilhas de ballet, mas isso não me impediu de dançar. Na escola, eu era considerado estranho e me chamavam de ‘o menino bailarino’; diziam que eu ia virar menina”, contou Thiago ao AcheiUSA.

O divisor de águas na carreira do artista foi ter recebido uma bolsa de estudos completa, incluindo moradia e alimentação, para estudar ballet em Miami, na Flórida. Iago avalia que a indústria do País criou oportunidades e abriu portas que pareciam fechadas no Brasil.

“Sou muito a grato aos meus professores brasileiros, que me ajudaram a superar as dificuldades no Brasil, mas aqui nos EUA eu me senti um bailarino profissional de verdade”, disse. “As companhias de dança no Brasil encontram dificuldades para buscar recursos, faltam patrocinadores e às vezes falta público no teatro”, completou.

Ele reconhece que toda essa carência de investimentos faz com que muitos talentos brasileiros acabem sufocados pela falta de incentivo. Como se não bastasse, a ignorância e discriminação com o ballet masculino também faz com que muitos artistas potenciais desistam da carreira.

“Principalmente nas produções de ballet clássico, a presença masculina é bem menos expressiva que a feminina, em razão dos preconceitos”, desabafa o jovem.

O que pouca gente sabe é que ballet é coisa de menino, sim. Aliás, foram os homens os responsáveis pela criação do ballet nas cortes italianas, por volta do século XV. Na época, a dança clássica era praticada apenas por eles. As mulheres só apareceram na cena em 1681.