Câmara dos EUA aprova $4,5 bilhões para ajudar imigrantes que atravessam a fronteira

Ajuda veio depois de denúncias de maus-tratos em crianças, mas Casa Branca já sinalizou que vai vetar a medida

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Agentes da patrulha de fronteira no Rio Grande (Foto Divulgação CBP)
Agentes da patrulha de fronteira no Rio Grande (Foto Divulgação CBP)

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos – de maioria Democrata –  aprovou um pacote de 4,5 bilhões de dólares para ajuda emergencial a imigrantes na fronteira do país com o México. O anúncio ganhou força depois que uma foto de um pai e uma criança mortos no Rio Grande viralizou.

O projeto de lei, que prevê ajuda a milhares de famílias e crianças desacompanhadas detidas após cruzarem a fronteira, conseguiu apoio dos dois partidos majoritários após a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, abafar um princípio de rebelião de legisladores progressistas e de origem hispânica, que queriam mudanças mais profundas na legislação.

As novas provisões acrescentadas eram consideradas modestas demais por alguns congressistas, mas a necessidade urgente de liberar verbas para evitar uma catástrofe humanitária acabou prevalecendo.

A aprovação por 230 a 195 votos cria um impasse entre a Câmara e o Senado, dominado pelos Republicanos, que poderá tentar forçar os Democratas a enviar ao presidente Donald Trump um texto diferente, enquanto as duas casas do Congresso correm para que a questão seja resolvida até o final da semana.

“O projeto do Senado é bom, mas o nosso é melhor”, disse Pelosi. “Nós estamos assegurando que as crianças tenham comida, roupas, itens de higiene pessoal, abrigo e cuidados médicos. Estamos proporcionando acesso à assistência jurídica. E estamos protegendo famílias, porque famílias têm de permanecer juntas”, afirmou, em referência à separação de familiares na fronteira.

O pacote de ajuda da Câmara destina mais de $1 bilhão para abrigar e alimentar os imigrantes detidos pela Patrulha de Fronteira. Quase $3 bilhões devem ser reservados para os cuidados aos menores desacompanhados que estão sob a custódia do Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS, na sigla em inglês).

A Casa Branca ameaçou vetar a legislação aprovada na Câmara dos Representantes, alegando que resultaria na paralisação dos esforços de segurança na fronteira. Autoridades em Washington ressaltaram em carta aos legisladores que o projeto de lei não oferece recursos para o reforço da segurança na fronteira, incluindo as verbas necessárias para a construção do muro de Trump.

A Patrulha de Fronteira afirma que 133 mil migrantes foram detidos no mês passado, com o total mensal ultrapassando a marca de 100 mil pela primeira vez desde 2007. As agências federais de migração se dizem sobrecarregadas, o que compromete o orçamento e as obriga a superlotar abrigos. (Com informações da Reuters e Agência Brasil)