Antonio Tozzi Esportes

Boletim da Copa | Canadá marca seu primeiro gol em uma Copa do Mundo e Gilberto Gil é hostilizado no Catar

Da mesma forma que critico a postura de muitos torcedores que comemoraram a lesão de Neymar e querem que o Brasil seja campeão sem sua participação – algo que, ao meu ver, é bastante difícil -, sobretudo simpatizantes do novo governo que tomará posse em janeiro, lamento muito a hostilidade de muitos torcedores simpatizantes do atual presidente a Gilberto Gil e sua esposa Flora que estão no Catar acompanhando a Copa do Mundo.

Está mais do que na hora de as pessoas se despirem desse ódio visceral – que flui tanto de bolsonaristas como de esquerdistas – para que o Brasil tenha chance de finalmente se tornar o país do  futuro, como venho ouvindo há mais de quatro décadas. Esse antagonismo que está dividindo familiares e acabando com amizades duradouras não faz sentido. Mesmo após as eleições, ele continua vívido e não poupa ninguém, nem mesmo nosso principal craque e nem mesmo um dos maiores cantores/compositores da MPB. Chegou a hora de dizer basta!

Canadá marca seu primeiro gol em Copas do Mundo, mas está eliminado

Deixando de lado esse episódio lamentável, vamos falar de futebol, que é o tema desses boletins. O Canadá havia participado em apenas uma Copa do Mundo em toda sua história, no ano de 1986, e voltou para casa com três derrotas e nenhum gol marcado. A seleção da América do Norte perdeu para União Soviética e Hungria pelo placar de 2 0 e para a França por 1 a 0. Pois bem, neste domingo, 27 de novembro, acabou a virgindade canadense na maior competição de futebol do planeta. Alphonso Davies, canadense que é filho de refugiados de Gana e atua no Bayern de Munique, foi o autor da façanha. De quebra, ele assinalou o gol mais rápido desta edição de Copa do Mundo ao acertar uma cabeçada certeira, sem chance de defesa para o goleiro Livakovic, aos 2 minutos de jogo.

O Canadá demonstrou bastante entusiasmo no início da partida, entretanto, aos poucos a seleção da Croácia fez valer sua maior categoria e experiência e tomou conta do jogo. Ainda no primeiro tempo, o artilheiro Kramaric empatou para a atual seleção vice-campeã do mundo, e Livaja assinalou o gol da virada. Na segunda etapa, os canadenses não tiveram forças para empatar e ainda sofreram mais dois gols: Kramaric novamente e Majer, nos acréscimos, deram números finais ao placar de 4 a 1 para os croatas, que assumiram a liderança do Grupo F.

Seleção belga envelheceu e perdeu o encanto

O craque Kevin De Bryuyne foi sincero ao comentar a atual fase da seleção belga. Ele admitiu que a Bélgica desperdiçou a grande chance de ser campeã do mundo em 2018 na Rússia, quando eliminou o Brasil nas quartas de final, mas foi batida pela França nas semifinais e teve de se contentar com a 3ª colocação ao derrotar a Inglaterra no jogo que antecedeu a final dispuitada entre França e Croácia. Sua opinião foi corroborada por Eden Hazard, que, na época, mostrava um futebol vistoso e hoje é uma pálida caricatura do bom jogador que já foi. Tanto é verdade que é reserva de Vini Jr. no Real Madrid. Os outros jogadores que participaram daquela boa campanha estão quatro anos mais velhos e as reposições dos que saíram não foram do mesmo nível.

Essa introdução serve para mostrar que a Bélgica perdeu o encanto. O Marrocos aproveitou dessa instabilidade e venceu os europeus por 2 a 0, neste domingo (27), em Doha, pela segunda rodada do Grupo F. Com gols de Sabiri e Aboukhlal, ambos no segundo tempo, o time marroquino celebrou muito a vitória contra os Diabos Vermelhos. A Bélgica teve algumas chances, mas não conseguiu render o esperado no jogo. O resultado embola a classificação às oitavas de final.

Agora, com exceção do Canadá, os demais integrantes do Grupo F têm chances de se classificar para as oitavas de final. A decisão ficou para quinta-feira, 1º de dezembro, quando Croácia e Bélgica se enfrentam, e Marrocos joga contra o Canadá. Croácia e Marrocos lideram com quatro pontos ganhos, mas os europeus têm um gol a mais do que os africanos. A Bélgica, com três pontos, precisa vencer ou torcer pelo Canadá derrotar o Marrocos com pelo menos quatro gols de diferença. As partidas serão simultâneas e jogadas às 11:00 am (horário de Miami).

Japão vacila e Grupo E fica embolado

Após ter derrotado a favorita Alemanha na abertura do Grupo E, a maioria dos analistas e apostadores jogaram suas fichas em uma nova vitória do Japão. Afinal, seu adversário era a Costa Rica que, na primeira rodada, tomou a maior goleada do torneio: 7 a 0 para a Espanha.

A seleção asiática dominou os centro-americanos, mas criou poucas oportunidades de gol e parou nas boas defesas do arqueiro Keylor Navas. Aí levou o castigo. Costa Rica precisou de apenas uma bola para vencer o Japão, por 1 a 0, no estádio Ahmad bin Ali na manhã deste domingo (27), pela 2ª rodada do Grupo E. Fuller aproveitou a única chance que sua seleção teve, já no fim do jogo, e garantiu a vitória que deixou costarriquenhos e alemães satisfeitos.

A vitória ressuscitou a Costa Rica e também a Alemanha que poderia ter sido eliminada na 2ª rodada, caso os nipônicos tivessem vencido e eles perdessem para a Espanha. Pois bem, nada disto aconteceu e o Grupo E se tornou uma incógnita, com as quatro seleções com possibilidades de classificação. A Espanha lidera com quatro pontos e sete gols de saldo, seguida pelo Japão, com três pontos e zero gol de saldo, e pela Costa Rica, com o mesmo número de pontos, mas com saldo negativo de seis gols. A Alemanha tem apenas um ponto conquistado, mas enfrentará a Costa Rica na quinta-feira (1º) e, se vencer, pode se beneficiar do resultado do confronto entre Japão e Espanha.

Alemanha continua viva no torneio

Espanha e Alemanha empataram, por 1 a 1, no primeiro encontro entre duas seleções campeãs no Catar, e adiaram a definição dos classificados às oitavas de final da Copa. Após a estreia com goleada sobre a Costa Rica, os espanhóis abriram o placar com Morata, enquanto os alemães – pressionados pela possibilidade de uma eliminação precoce – empataram com Füllkrug.

O empate serviu para manter a Alemanha viva no torneio, porém, se quiser seguir adiante precisará apresentar mais futebol do que demonstrou até agora. O técnico Hansi Flick (o mais bem pago treinador que está nesta competição) promoveu algumas alterações em sua equipe em relação àquela que foi batida pelo Japão. Todavia, a atuação não empolgou. Os destaques dos teutônicos são o zagueiro Rüdiger – que teve um gol anulado por impedimento – e o meia Musaila. Sané também é boa opção de banco. Assim como a Bélgica, alguns veteranos, sobretudo Müller e Kimmick, estão bem abaixo daquilo que já jogaram. A alternativa é ganhar da Costa Rica e torcer para Espanha não ser derrotada pelo Japão.