Caso rádio Tupi de Pompano: ex-apresentador Gilson Trindade conta como tudo aconteceu

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Apresentador revela as últimas palavras que foram para o ar

Por Vanuza Ramos

Gilson Trindade

“Na terça, dia 5 de julho, por volta das 2:45 da tarde, cheguei aos estúdios da Rádio Tupi News, acompanhado de minha esposa Sara. Às 3:02 abri meu programa, Show da Tarde, como de costume. Cerca de cinco minutos depois, chegaram dois senhores ao escritório e foram recepcionados pelo empresário Edmilson, que acompanhara sua esposa Eliane, apresentadora de um programa anterior ao meu.

Os dois senhores, de origem hispânica, apresentaram-se como agentes do FCC, órgão federal que rege toda a indústria da radiodifusão do país. Além de mim, da minha esposa, do casal Edmilson e Eliane, também estavam na estação o sonoplasta Cristiano e o locutor Alexandre Estrela.

O dois senhores procuravam pelo sr. Rubens Axt, proprietário da estação, e foram informados que ele não se encontrava ali naquele momento. Eles então anotaram o meu nome e o do sonoplasta numa folha de papel, e nos informaram que a Rádio Tupi News não possuía uma licença de operação, portanto, eu deveria parar imediatamente com o meu programa. Eles também nos solicitaram que desligássemos o transmissor para que não sofrêsemos conseqüências ainda mais graves.

Imediatamente nos comunicamos com o sr. Rubens, que estava em Miami comprando novos equipamentos para a emissora. O sr. Rubens me respondeu dizendo que tinha a licença e que a enviaria por fax. Ele disse também que eu deixasse os fiscais do FCC fazerem aquilo que eles achassem melhor.

Os fiscais não gostaram da idéia de aguardar pelo envio da licença pelo fax e pediram para que Cristiano desligasse o transmissor.

Fizeram algumas anotações e nos deixaram uma folha de papel timbrado com o selo do FCC, notificando-nos da visita e da não existência de uma licença para a operação da rádio.

Minhas últimas palavras aos ouvintes antes de desligarmos o transmissor foram de que passávamos por um problema técnico, e que em breve voltaríamos com a programação. Afinal, o que mais eu poderia falar?

Mais tarde, chegaram o locutor Marcos César e o sr. César Fonseca, técnico da rádio. Enquanto aguardávamos a chegada do sr. Rubens à estação, fomos à internet e passamos a procurar um registro da rádio junto ao FCC. Foi então que chamamos o consultor Antonio Carlos, que na semana anterior havia desenvolvido um projeto para o sr. Rubens, e aparentemente tinha conhecimento do número da licença da rádio. Após falarmos com ele e obtermos dele um tal de Federal Registration Number, continuamos a nossa pesquisa, chegando até mesmo a conversar com uma secretária do FCC, em Washington, que nos garantiu que a estação WAXT 96,9 FM, em Pompano Beach, não tinha licença de operação no FCC. O que havia era um número de registro do sr. Rubens junto à entidade, e nada mais.

Quando o Sr. Rubens chegou à rádio ele procurou em vão a tal licença que pensava possuir. Olhou na mala e na sua mesa e não a encontrou. Depois disse que achava estar na casa dele. Ele tinha tanta certeza de que o pastor Gomes havia sido o responsável pela denúncia que me pediu que gravasse num CD as mensagens deixadas por ele (Gomes) nos celulares dele e do gerente de vendas da estação. Depois disso, nós só voltamos a vê-lo no outro dia, quando ele nos mostrou o mesmo papel que já tínhamos visto, com um carimbo de validade até 30 de setembro. Mas, ao olharmos com mais cuidado e levarmos tais papéis a um advogado, descobrimos que aquilo era apenas um formulário peticionando a construção de uma estação de rádio, e não uma licença para que ele pudesse operar a emissora, como havia feito por cinco semanas.”

Colaborou Antonio Tozzi

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