Cervejaria brasileira quer conquistar a América

Comandada pelas cervejeiras Fernanda Ueno e Maíra Kimura, e pela sommelière Yumi Shimada, a Japas especializou-se em produzir releituras de estilos clássicos de cerveja

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Yumi Shimada, Maíra Kimura e Fernanda Ueno (Foto: Bruno Fujii)
Yumi Shimada, Maíra Kimura e Fernanda Ueno (Foto: Bruno Fujii)

Sete anos após iniciar suas atividades no Brasil, a cervejaria artesanal brasileira Japas vem conquistando espaço no mercado americano, onde cerca de 8 mil cervejarias disputam os bolsos dos bebedores com milhares de lançamentos por ano. Produzidos nos Estados Unidos, os rótulos da marca estão sendo distribuídos atualmente em dez estados americanos, incluindo a Flórida, sendo encontrados em lojas especializadas em cervejas artesanais. 

Comandada pelas cervejeiras Fernanda Ueno e Maíra Kimura, e pela sommelière Yumi Shimada, a Japas especializou-se em produzir releituras de estilos clássicos de cerveja, como pale ale, witbier, entre outros, inserindo elementos da cultura e da gastronomia japonesa. 

As três se conheceram e ficaram amigas encontrando-se em eventos cervejeiros. Inspiradas pelas semelhanças entre suas trajetórias–mulheres, profissionais do mercado cervejeiro, descendentes de famílias japonesas instaladas no Brasil–decidiram iniciar o projeto seguindo o modelo de “cervejaria cigana”, produzindo em instalações terceirizadas. 

A primeira cerveja lançada oficialmente foi uma American Pale Ale com adiçâo de wasabi, a Wasabiru, em 2014. Animadas pela recepção positiva no mercado especializado brasileiro, Fernanda e Maíra criaram outras receitas com o mesmo conceito, e Yumi gerou a identidade visual da cervejaria.

“Acredito que a gente tenha uma proposta, um conceito, interessante o suficiente para se destacar mesmo dentro de um cenário muito competitivo. A gente reforça bastante a questão identitária da marca, que é um reflexo do que as três sócias são: mulheres, brasileiras com origem japonesa”, explica a cervejeira Maíra Kimura.

Maíra diz que o trio precisou ser flexível com as expectativas do projeto iniciado em 2019 devido à pandemia, mas após entrarem em pontos de mercados locais altamente competitivos, como Massachusetts e Nova York, a expansão se intensificou. Vieram California, Oregon, Rhode Island, Maine, Pennsylvania, Michigan. 

“Entramos em 2022 abrindo o décimo estado (Wisconsin), e já estamos com conversas avançadas em mais alguns estados”, comemora Maíra.

Por intermédio de uma empresa especializada em fomento de cervejarias artesanais, a Beertenational, a produção da Japas teve início na Great South Bay Brewery, em Nova York. Depois, mudou para a Great Central Brewing Company, em Chicago.

“Estamos produzindo três rótulos o ano todo: a Bohemian Pilsner Matsurika, com flores de jasmim, a witbier Oishii, com gengibre, e a American IPA Neko (única a não levar ingredientes típicos japoneses), mais diversas sazonais”, explica a diretora e fundadora da Beertenational, Pooah Alon. 

A parte sazonal do portfólio inclui uma versão escura da Matsurika, e séries limitadas. A série Sawā traz cervejas ácidas (sours) com frutas como yuzu, ameixa e pêssego. Homenageando a chegada dos imigrantes japoneses ao Brasil a partir de 1908, a série de IPAs foi batizada Maru. Começou com a Kasato Maru, com adição de dekopon (espécie de tangerina), seguida da Sanuki Maru, que leva yuzu, e a cervejaria planeja para este ano um novo rótulo chamado Rio de Janeiro Maru.

Os planos futuros para os Estados Unidos incluem a abertura de um taproom–estabelecimento que serve cervejas frescas na torneira–e/ou um brewpub–mistura de restaurante e microcervejaria.

“Também estamos diversificando as operações da marca. Ainda este ano, vamos levar a nossa lojinha online Arigatou para os EUA também e criar novos produtos fora do portfólio de cerveja”, conta a cervejeira. ν 

*A Beertenational enviou ao repórter um kit dos rótulos atualmente em produção para degustação