Coiotes e gangues usam serras para abrir caminho na fronteira

Relatório confirma que muro de Trump não é tão impenetrável quanto o governo pensava

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Biden ordena o fim da construção do muro na fronteira (Foto: Mani Albrecht - U.S. Customs and Border Protection)

O presidente Donald Trump, em visita a San Diego há cerca de um mês, disse que as partes novas do muro na fronteira entre os EUA e o México “são praticamente impenetráveis”. No entanto, dados do local mostram que não é bem assim: coiotes e traficantes têm usado serras elétricas manuais para cortar o aço e o concreto da barreira entre os dois países, criando abertura suficiente para a entrada ilegal de indocumentados e drogas na América.

A informação foi repassada por agentes de imigração ao jornal The Washington Post, que preparou um relatório sobre o assunto. Segundo as autoridades, esse tipo de ocorrência é comum, mas quando uma violação é detectada uma equipe de soldagem é chamada imediatamente para consertar o estrago. Em questão de minutos, os criminosos conseguem abrir um espaço nos postes de amarração do muro, que têm até 9 metros de altura. De acordo com o relatório, as partes cortadas são recolocadas no local original, para pareceram que o serviço foi feito – e com isso a mesma abertura é usada várias vezes.

Trump disse que não tinha ouvido relatos sobre estas violações, mas admitiu que não está surpreso. “Temos um muro muito poderoso, mas é possível cortar qualquer coisa”, disse o presidente ao ser questionado na Casa Branca. O porta-voz do USCIS, Matthew Leas, apressou-se em dizer que o muro está cumprindo sua função: “Qualquer insinuação do contrário é ridícula”, rebateu.

Leas acrescentou que as partes mais novas do muro aumentam significativamente a segurança e servem como dissuasão para aqueles que querem entrar ilegalmente nos EUA. Mesmo assim, a ideia do governo é instalar sensores eletrônicos que detectam vibrações de serra em toda a extensão do muro, como forma de aumentar a proteção.