Comércio no Brasil registra pior desempenho em 14 anos, aponta pesquisa

Estudo realizado pelo Serasa mostra que queda de 1,3% em 2015 teria sido provocada por alta inflação e consumidores mais cautelosos

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DA REDAÇÃO, com G1 – A atividade do comércio brasileiro teve queda de 1,3% em 2015. O número registrado é o pior desempenho desde 2002, segundo levantamento divulgado na terça-feira (12) pela Serasa. Em 2014, o movimento dos consumidores nas lojas teve alta de 3,7%.

De acordo com a entidade, o resultado fraco foi provocado pelo aumento da inflação, pela queda dos níveis de confiança dos consumidores e pelo aumento dos juros dos financiamentos e crediários, que encareceu as prestações.

A queda nas vendas no ano passado atingiu todos os segmentos do varejo nacional. A mais intensa foi vista em veículos, motos e peças, de 19%. Houve recuo ainda em tecidos, vestuário, calçados e acessórios (-3,5%); combustíveis e lubrificantes (-1,0%); material de construção (-2,1%); supermercados, hipermercados, alimentos e bebidas (-1,1%); móveis, eletroeletrônicos e equipamentos de informática (-0,9%).

Beleza em recessão
A indústria de cosméticos, perfumaria e artigos de higiene teve a primeira queda nas vendas em mais de 20 anos. O setor da beleza é conhecido por não se abalar com a instabilidade na economia, mas nem ele resistiu à crise em 2015.

Vários fatores influenciaram, segundo reportagem veiculada pelo Jornal Hoje. Até a falta de água nas grandes cidades ajudou. As pessoas tomam banho mais rápido, por exemplo, e acabam usando menos produtos. Esse foi um setor que sempre voou nas alturas, à prova de turbulência, durante os altos e baixos da economia. Pelo menos até o ano passado.

A indústria de higiene, cosméticos e perfumaria, que nos últimos 23 anos vinha crescendo em média 13% ao ano, fechou 2015 no negativo: queda de 6% no faturamento.

O presidente executivo da Associação das Indústrias, João Carlos Basilio, acredita que são vários motivos para o tombo: alta do dólar, aumento de impostos, a insegurança provocada pela crise e até a falta de água.

“Os banhos estão mais curtos por necessidade, as pessoas estão pondo timer para tomar banho, porque, para controlar a água, para controlar conta de energia; então você não fica debaixo d’água parado. Você sempre fica ou passando um sabonete ou lavando cabelo, tudo isso ficou mais curto, tudo isso é consumo menor”, afirma Basilio.