Confirmada a contaminação da água na produção da cerveja Belorizontina

Já são quatro mortes relacionadas à ingestão da bebida e análise mostra que mais de quinze lotes foram corrompidos

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Pelo menos sete lotes da Belorizontina foram contaminados (Foto: Divulgação – Backer)
Pelo menos sete lotes da Belorizontina foram contaminados (Foto: Divulgação – Backer)

DA REDAÇÃO – Tanto a perícia da cervejaria mineira Backer quanto a análise do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) confirmaram a presença das substâncias monoetilenoglicol e dietilenoglicol na água usada para fabricação das cervejas artesanais Belorizontina. Ou seja, a contaminação acabou interferindo no processo cervejeiro, gerando até agora quatro mortes – as duas últimas confirmadas poucas horas depois da divulgação dos resultados dos testes. Outras 15 pessoas estão internadas com síndrome nefroneural, problema causado pela intoxicação do solvente glicol, cujos sintomas são insuficiência renal grave e alterações neurológicas.

Segundo informações do ministério, a água normalmente é utilizada para resfriamento da mistura de ingredientes da cerveja após a fermentação. As investigações vão tentar apontar como a substância chegou até a água. “Ainda não conseguimos descobrir como aconteceu a contaminação e nenhuma hipótese está descartada. Estamos trabalhando com algumas hipóteses, como sabotagem, utilização incorreta do etilenoglicol ou mesmo um vazamento no tanque de resfriamento”, disse Carlos Vitor Muller, coordenador-geral de vinhos e bebidas do Ministério.

Os especialistas ressaltaram que pelo menos sete lotes da Belorizontina foram contaminados, incluindo um lote da cerveja Capixaba (a mesma cerveja, distribuída no Espírito Santo). Caso seja confirmada que a fabricante Backer foi a responsável pela contaminação, a empresa pode até ter o seu registro de fabricação cassado. A cervejaria está fechada por determinação do próprio ministério, bem como teve seus produtos retirados do mercado.

Além do homem que teve a morte confirmada na quinta-feira (16), o caso da cerveja contaminada já tinha registrado duas outras vítimas fatais: Paschoal Dermatini Filho, de 55 anos, morreu em Juiz de Fora no último dia 7, com vestígios de dietilenoglicol no sangue. O mesmo aconteceu com Antônio Márcio Quintão de Freitas, em Belo Horizonte. A ocorrência de uma idosa que morreu em final de dezembro em Pompéu continua sob investigação e não está certo que foi causada pela ingestão da bebida.