Coronavírus aumentará pobreza na América Latina e Caribe, diz organização

A região, que observou uma piora na segurança alimentar nos últimos anos, deve ter aumento da fome e da pobreza

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O principal risco é não conseguir garantir o acesso à alimentação da população mais vulnerável (Foto: Pixabay)
O principal risco é não conseguir garantir o acesso à alimentação da população mais vulnerável (Foto: Pixabay)

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO – Food and Agriculture Organization) alertou na quarta-feira (29), em seu novo relatório, para as consequências da pandemia do novo coronavírus na América Latina e no Caribe. 

A região, que observou uma piora na segurança alimentar nos últimos anos, deve ter aumento da fome e da pobreza. A FAO apela aos governos para que declarem oficialmente a alimentação e a agricultura como atividades estratégicas fundamentais, que requerem atenção e apoio especiais de todos os órgãos do estado, bem como da população em geral.

“Manter o sistema alimentar vivo é essencial para que a crise da saúde não se transforme em crise alimentar”, disse Julio Berdegue, representante da FAO.

A América Latina e o Caribe produzem e têm reservas suficientes para alimentar de forma adequada os seus habitantes nos próximos meses. Para a FAO, no entanto, o principal risco no curto prazo é não conseguir garantir o acesso à alimentação da população mais vulnerável, que está cumprindo as medidas de segurança sanitária e que, em muitos casos, perdeu sua principal fonte de renda.

Em 2020, o número de pessoas pobres na região deve passar de 186 para 214 milhões de pessoas, enquanto o número de pessoas em extrema pobreza poderá aumentar de 67,5 para 83,4 milhões. Isso significaria que entre 2019 e 2020 a taxa de pobreza regional passou de 30,3% para 34,7% e a taxa de pobreza extrema de 11,0% para 13,5%. As estimativas são da Comissão Econômica para América Latina e Caribe, a Cepal. 

A previsão para 2020 é de contração da economia regional em 5,3%, com quedas de 5,2% na América do Sul, 5,5% na Mesoamérica e 2,5% no Caribe. O Brasil deve sofrer retração de 5,2%.