Crianças detidas na fronteira estão em instalações inadequadas e presas por mais tempo que o permitido por lei

Um grupo de 17 advogados, que visitou instalações onde estão crianças presas, entrou na Justiça para denunciar a situação; “Todos os dias, eu me sinto muito triste”, disse uma das crianças presas

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Ativistas protestam em frente a abrigo de crianças no Texas (Foto Jose Luis Gonzales - Reuters)

Dezessete advogados – que tiveram acesso a abrigos onde crianças com idades entre nove e 17 anos estão detidas – protocolaram uma denúncia na Justiça, nesta segunda-feira (21).

Segundo a denúncia, as crianças estão tristes, vivendo em instalações lotadas e, muitas vezes, sem banho ou alimentação adequada. Os advogados tiveram autorização para conversar com as crianças em abrigos que eram para ser temporários, mas que os menores estão ficando por mais tempo que o previsto por lei. Pela legislação, elas devem ser mantidas nesses abrigos por no máximo 60 dias.

“Nossa preocupação é com o bem-estar dessas crianças, que estão presas em abrigos temporários por muito tempo. Essas instalações foram construídas para uso emergencial, mas estão sendo usadas por períodos prolongados”, diz a denúncia.

A maioria dessas crianças é de Honduras, Guatemala e El Salvador. “Nós dormimos em beliches. Eu gosto de dormir embaixo porque estou muito ansiosa e triste”, disse uma menina da Guatemala aos advogados.

Outra menina reclamou que estava vestindo a mesma roupa por mais de 15 dias.

Até o domingo (20), 14.467 crianças estavam sob custódia do Health and Human Services Department. (Com informações da Reuters)