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Algo que poucos torcedores do Miami Heat acreditavam, aconteceu. O craque Dwayne Wade, craque-símbolo do time do sul da Flórida, simplesmente decidiu voltar para sua cidade e assinou um contrato de dois anos com o Chicago Bulls, aceitando a oferta da equipe da Cidade dos Ventos, superior àquela oferecida por Pat Riley, presidente do Heat. A divulgação do acordo foi feito na noite de quarta-feira (6) e chocou os fãs do Miami Heat. Alguns, mais exaltados, chegaram a queimar a camisa do craque, chamando-o de ingrato, traidor e outros epítetos menos nobres. Entretanto, ele optou por receber um salário maior – $47 milhões por dois anos, em vez dos $40 milhões oferecidos pelo Heat – e saldar uma dívida íntima, que é a de atuar pelo time de sua cidade e de quem foi fã, sobretudo nos anos dourados de Michael Jordan & cia. faturando vários títulos.

Foi bom negócio?

Deixando de lado o aspecto financeiro, há que se perguntar se a decisão de D-Wade foi acertada? Afinal, ele está indo para uma franquia que está em baixa. Perdeu Derrick Rose, o craque Viúva Porcina, aquele que poderia ter sido e nunca foi. Aliás, o próprio Chicago Bulls cortejou Wade para ser companheiro de Rose e formar um dos melhores backcourts da liga, unindo os dois nativos de Chicago. Tudo, no entanto, não passou de sonho. Wade preferiu renovar com o Heat e fazer parte de um timaço ao lado de Chris Bosh e LeBron James que em quatro anos chegou a quatro finais – sendo duas vezes campeão da NBA. Hoje, tudo mundou. Rose, que nunca vingou como craque por causa das constantes lesões, está indo para New York, onde integrará o time do Knicks que tem no comando Phil Jackson, ironicamente o treinador do então imbatível Chicago Bulls de Jordan, Pippen e outros e que instituiu o triângulo, tática que revolucionou o basquete da NBA. Além de Rose, outro craque está trocando de ares. Pau Gasol, o catalão que foi campeão da NBA ao lado de Kobre Bryant, aceitou o convite de Gregg Poppovich e reforçará o elenco do San Antonio Spurs. Ou seja, Wade terá como companheiro talentoso apenas Jimmy Butler, isto é, se ele não aceitar a oferta de outro clube. Ao contrário de LeBron, que formou uma boa equipe em Cleveland e quebrou o jejum do Cleveland Cavaliers nesta temporada, dificilmente Wade conseguirá o anel de campeão atuando pelo Chicago Bulls como conseguiu com o Miami Heat. Por falar em Heat, a franquia terá de ser reconstruída. Conseguiu segurar o pivô Hassan Whiteside, cobiçado por vários times da liga, porém perdeu Wade (Chicago Bulls), Luol Deng (Los Angeles Lakers), Joe Johnson (Utah Jazz). Ficaram Whiteside e Goran Dragic, além de Chris Bosh, cuja doença torna sua presença uma incógnita. Ou seja, o time enfraqueceu bastante. Em compensação, a franquia tem bastante dinheiro para ir ao mercado neste temporada de contratações.

Negócio criticado

O problema dos dirigentes do Miami Heat é que, mesmo com dinheiro, pouco restou em termos de jogadores nos quais vale a pena investir. A joia da coroa chamava-se Kevin Durant. Depois de ter jogado toda sua carreira no Oklahoma City Thunder, Durant fez um anúncio que chocou a comunidade de basquete da NBA. Ele atuará pelo Golden State Warriors. A reação foi a pior possível, menos, é claro, na área de San Francisco Bay. Ora, Durant está entre os três melhores jogadores da liga, ao lado de LeBron James e Stephen Curry – eleito o atual MVP da temporada regular. Agora, Durant será companheiro de Curry, Klay Thompson, Draymond Green e Andre Iguodala. Ou seja, ele vai reforçar ainda mais a equipe que quebrou o recorde do Chicago Bulls com 73 vitórias e apenas 9 derrotas na temporada regular. Após ter conquistador o título na temporada passada, foi outra vez à final e foi batido pelo Cleveland Cavaliers, graças a atuações monstruosas de LeBron James. Pouca gente acredita que outra equipe poderá desafiar Golden State Warriors. Nem mesmo San Antonio Spurs, que está em processo de reconstrução. O time texano que fez história com o Big Three, formado por Tim Duncan, Tony Parker e Emanuel Ginobili, viu o florescer de Khawi Leonard, o novo astro da equipe, e trouxe o ala-pivô LaMarcus Aldridge, que atuava no Portland Trailblazers. Acabou de incorporar Pau Gasol ao seu elenco. Entretanto, apesar de ser uma boa equipe, ainda é inferior ao Golden State Warriors, com seu arsenal de bola de três pontos, reforçado pela categoria de Durant. O acordo provocou descontentamento entre os donos da franquia porque provocou desequilíbrio na liga – algo que a NBA sempre se orgulhou de mostrar. Pelas atuais previsões, são grandes as chances de as finais da NBA reunir os mesmos protagonistas desta temporada: Golden State Warriors e Cleveland Cavaliers.

Clube da fé precisará de muita fé

O São Paulo Futebol Clube é conhecido como o “clube da fé”. Pois vai precisar de muita fé para conseguir reverter o placar adverso na primeira semifinal da Copa Libertadores da América. O cenário foi bem montado, porém, esqueceram de contratar os artistas.  A torcida do São Paulo lotou o Morumbi e bateu na noite da quarta-feira (6) o novo recorde de público no Brasil em 2016. No primeiro jogo da semifinal da Copa Libertadores, contra o Atlético Nacional-COL, o time tricolor colocou 61.766 pessoas no Morumbi. Assim, o clube paulista quebrou a própria marca atingida nas quartas de final, contra o Atlético-MG. Na ocasião, 61.297 pessoas compareceram. A renda também é recorde para o time tricolor. Os cofres arrecadaram R$ 7.526.480,00 – também a melhor marca nacional neste ano. A segunda melhor marca também é são-paulina, com R$ 4.137.596,00 contra o Atlético-MG. Pois é, os torcedores deram sua contribuição, entretanto, os que estavam em campo não corresponderam. E o time colombiano do Atlético Nacional venceu a partida por 2 a 0, com dois gols de Borja, e agora receberá o Tricolor paulista em Medellín na próxima quarta-feira com bastante vantagem.

Como enfrentar um adversário mais forte?

Como mencionou o repórter Carlos Augusto Ferrari, do globo.com, “só raça não basta”. Ele traduziu à perfeição o que foi o time do São Paulo no jogo mais importante da temporada. Após uma paralisação de 50 dias – por causa da disputa da Copa América Centenário -, a Copa Libertadores da América retornou com as semifinais entre Atlético Nacional e São Paulo, e Independiente del Valle, do Equador, e Boca Juniors, de Buenos Aires. A verdade é que o nível entre as duas equipes é desigual. O Atlético Nacional foi dono da melhor campanha no torneio e perdeu apenas uma partida, contra o Rosario Central, na Argentina. Já o São Paulo é o semifinalista de campanha mais medíocre entre os quatro clubes. Classificou-se apenas na última rodada da fase de grupos com um empate no sufoco com o The Strongest na altitude de La Paz. O time colombiano negociou alguns atletas como Copete e Ibarbo, e contratou outros como o próprio Borja. Já o Tricolor paulista perdeu Ganso, o melhor articulador de jogadas, e Kelvin, o atacante mais insinuante. Aí, Edgardo Bauza teve de improvisar e montar a equipe com os jogadores que têm à disposição. E, infelizmente para os torcedores, o material humano que o técnico argentino tem não é dos melhores. Para se ter uma ideia, o São Paulo é o pior clube paulista no Brasileirão 2016.

O que deu errado?

Bauza mandou a campo o time formado por Denis; Bruno, Maicon, Rodrigo Caio e Mena; Thiago Mendes, João Schmidt, Wesley, Michel Bastos e Ytalo; Calleri. A intenção era congestionar o meio de campo e anular a troca de passes envolvente do time de Medellín. A tática funcionou durante 15 minutos, porém, aos poucos os colombianos superaram a pressão e equilibraram a partida. As raras chances de gol foram para fora ou pararam nas mãos do bom goleiro Armani. Uma atitude infantil de Maicon – que se tornou ídolo da torcida e por quem a diretoria pagou seis milhões de euros e 50% dos passes de dois garotos: Lucão e Inácio – colocou tudo a perder. Ele deu um pé de ouvido em Borja, que valorizou e se atirou no gramado. O atacante recebeu o cartão amarelo, no entanto, o zagueiro do São Paulo levou o cartão vermelho e deixou sua equipe com 10 jogadores. Foi o suficiente para o Atletico Nacional ir para cima do time da casa e vencer a partida. Agora, só um milagre salvará o São Paulo da eliminação. Haja fé!

Torcida irresponsável

Como se não bastasse a derrota, muitos torcedores foram agredidos por outros torcedores…do próprio São Paulo. A torcida organizada Independente, sem nenhum motivo, começou a agredir os torcedores comuns simplesmente porque eles estavam saindo do estádio pouco antes do jogo terminar. Os vândalos gritavam: “A culpa é de vocês!”; “Vocês são torcida modinha, não sabem incentivar”, além de outros impropérios. E partiram para agressão contra idosos, mulheres e crianças. Aí, a Polícia de Choque teve de intervir e lançar bombas de efeito moral contra os baderneiros. Resultado: vários torcedores do São Paulo, que não pertencem a estas facções, juraram que nunca mais voltarão a um estádio por medo destas gangues que afastam os verdadeiros admiradores do espetáculo.

Hora de agir

Aproveitando esse fato, já passou da hora de o Poder Público tomar uma atitude contra as chamadas “torcidas organizadas”, este câncer que ajuda a corroer a estrutura do futebol brasileiro. Para começar, elas concorrem com os próprios clubes. Ou seja, no momento em que o torcedor escolhe uma camisa de uma torcida organizada, ele está dando dinheiro para um poder paralelo e drenando recursos dos clubes que têm como uma das fontes de renda a venda de itens autorizados. Aliás, esta massa é o motivo pelo qual gtrandes empresas de material esportivo assinam contratos generosos com os grandes clubes. Além disso, eles são protegidos por políticos que os agradam por causa do interesse eleitoral e agem para impedir uma ação mais enérgica das autoridades. Dirigentes e conselheiros dos clubes também protegem os vândalos porque eles servem como agentes de pressão sobre os adversários politicos em épocas de eleição para diretoria nos clubes, além de fornecer ingressos e financiar viagens a seus integrantes quando o clube joga fora de seu estado. E há ainda o fator medo. Promotores públicos temem despertar ira destes “torcedores” e, assim, sofrer represálias. No entanto, extinguir ou disciplinar estas “torcidas organizadas” é inadiável, sob risco de somente eles frequentarem os estádios.

O gajo é fera, pá!

Quem diria, hein? Portugal está na final da Eurocopa – o principal torneio entre seleções do continente europeu. Os portugueses não integravam a lista dos favoritos e apenas preocupavam um pouco por ter em sua equipe Cristiano Ronaldo. E ele está de fato fazendo a diferença. Ao disputar sua quarta Eurocopa e ser o único atleta ao marcar gols em todas suas participações, o craque do Real Madrid está fazendo a diferença, mesmo com uma campanha de pouco brilho da seleção lusitana. Ele igualou Michel Platini como o jogador de futebol como o maior artilheiro das Eurocopas, com nove gols. E pode isolar-se na artilharia, caso marque um gol na final da competição contra a França. A vantagem de Portugal é jogar a final sem pressão porque a França/Alemanha é a favorita para vencer. Dessa maneira, os portugueses podem surpreender, graças à genialidade de Ronaldo, à experiência de Nani e ao brilhantismo de Renato Sanches, jogador de apenas 18 anos de idade, com pinta de craque, além do forte espírito coletivo da equipe. No mínimo, o técnico Fernando Santos já alcançou o feito da Seleção de Portugal em 2004, então dirigida por Felipão, que foi à final e perdeu por 1 a 0 para a Grécia, em uma surpresa que entristeceu o país. Quem sabe, agora, como zebra, os Navegadores poderão pela primeira vez levantar a taça de campeão da Eurocopa.