Dados públicos do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), analisados pela CBS News, mostram que 15 dos 45 maiores centros de detenção de imigrantes do país estavam há mais de um ano sem passar por inspeções até o fim de junho.
As unidades avaliadas têm capacidade para abrigar 500 ou mais pessoas. O levantamento também apontou que cinco centros não tinham registro de inspeção disponível.
A situação ocorre após uma mudança nas regras de fiscalização do ICE, que passou a permitir inspeções anuais em algumas instalações e avaliações a cada dois anos em outras, dependendo do tipo de unidade e da operação.
Grupos que acompanham as condições dos centros de detenção afirmam que a redução na frequência das inspeções pode dificultar a identificação de problemas, como falhas no atendimento médico, alimentação inadequada e outras irregularidades. Desde 2019, relatórios de fiscalização apontaram algum tipo de deficiência em quase 90% das unidades analisadas.
Segundo dados citados pela reportagem, as mortes nesses locais atingiram no ano passado o maior nível desde 2020. O governo, por outro lado, afirma que o novo modelo permite direcionar melhor os recursos de supervisão e que todas as instalações continuam sujeitas aos padrões exigidos pelo ICE.
Na Flórida, o tema também ganhou atenção com a abertura do centro de detenção conhecido como “Alligator Alcatraz”, nos Everglades. A unidade recebeu críticas de grupos de direitos dos imigrantes e fechou antes de passar por uma inspeção oficial.
