Debate final entre candidatos à presidência teve ataques a Bolsonaro e declarações sobre a ditadura

Bolsonaro não compareceu ao debate da TV Globo alegando recomendação médica; sete candidatos participaram do debate no Rio de Janeiro na noite de quinta-feira (4)

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Sete candidatos participaram de debate na TV Globo
Sete candidatos participaram de debate na TV Globo

Sete candidatos à Presidência do Brasil participaram de um debate na TV Globo na noite de quinta-feira (4). Foi o último antes da votação do primeiro turno, no próximo domingo (7).

O debate foi mediado pelo jornalista William Bonner e reuniu os seguintes candidatos, em ordem alfabética: Alvaro Dias (Podemos), Ciro Gomes (PDT), Fernando Haddad (PT), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL), Henrique Meirelles (MDB) e Marina Silva (Rede).

O candidato Jair Bolsonaro, do PSL, foi convidado para o debate, mas disse que não iria por recomendação médica. Bolsonaro levou uma facada durante um ato de campanha em Minas Gerais em 6 de setembro.

A ausência de Bolsonaro, líder nas pesquisas de intenção de voto, foi duramente criticada por seus oponentes.

Bolsonaro não compareceu ao debate alegando recomendação médica, por estar se recuperando da facada que levou no dia 6 de setembro. No entanto, no mesmo horário do debate, apareceu em entrevista gravada para a Record TV, o que motivou ataques de Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede) e Henrique Meirelles (MDB).

Segundo o portal UOL, Marina disse que Bolsonaro “mais uma vez amarelou, está dando entrevista na Record e não veio aqui debater”. Já Ciro e Meirelles fizeram “dobradinha” no ataque à ausência do candidato do PSL. Ciro lembrou as críticas de Mourão, vice na chapa de Bolsonaro, a direitos como o 13º salário e o adicional de férias, e a declarações controversas do economista Paulo Guedes sobre criação de impostos.

“E o Bolsonaro quando vê a repercussão dessas coisas todas, nega para a imprensa”, disse Ciro. “Eu já ouvi o Bolsonaro dizendo que o brasileiro tem que optar entre empregos e direitos.”

Geraldo Alckmin (PSDB) também criticou Bolsonaro, classificando-o como “radical de direita, que não tem a menor sensibilidade” por defender que a saúde não precisa de mais dinheiro e dizendo que o adversário “quer fazer imposto novo, CPMF”.

Haddad reclamou sobre a circulação de informações falsas durante a campanha. “Estamos combatendo uma onda de notícias falsas e mentiras na internet muito pesada. Só no dia de hoje, recebemos mais de 15 mil denúncias, para você ter uma ideia do tamanho do estrago que o pessoal do Bolsonaro está fazendo”, afirmou. Ele ainda comparou o candidato do PSL com os demais adversários. “Os outros candidatos sabem fazer uma campanha civilizada. Ele não. Ele parte para a ignorância”, disse Haddad.

‘Ditadura nunca mais’

Boulos foi responsável por um dos momentos mais contundentes do debate, ainda no primeiro bloco, quando fez um discurso veemente alertando para o que considerou o risco de uma nova ditadura no Brasil.

As declarações do candidato do PSOL vieram em resposta a uma pergunta de Fernando Haddad (PT) sobre Jair Bolsonaro (PSL), líder das pesquisas de intenção de voto e que defende abertamente a ditadura militar (1964-1985).

“Não dá para a gente fingir que está tudo bem. Nós estamos há meses fazendo uma campanha que está marcada pelo ódio. Faz 30 anos que esse país saiu de uma ditadura. Muita gente morreu, muita gente foi torturada, tem mãe que não conseguiu enterrar seu filho até hoje.”

Em seguida, Boulos aludiu a uma das principais bandeiras de Bolsonaro, a liberação do porte de arma.

“Sempre começa assim. Arma, com tudo se resolve na porrada, que a vida do ser humano não vale nada. Eu acho que nós temos que dar um grito nesse momento, botar a bola no chão e dizer ditadura nunca mais.” (Com informações do UOL e G1).

Leia a íntegra do debate neste link