Deusa brasileira tem música no DNA

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Maria Rita brilha na MPB

Heliana Deweese

Maria Rita nasceu estrela. Tem pedigree musical. Do lado materno: Elis. Do paterno: César Camargo Mariano. Mas, ela é simplesmente, Maria Rita. Não se sabe como esse talento todo ficou tantos anos como um vulcão adormecido. Estava inativo dentro dela esperando a hora certa. Amadureceu e apareceu para explodir em sucesso.

Despertou há poucos anos, com a bênção e o apadrinhamento musical de Milton Nascimento. Ganhou o coração do público brasileiro e tomou conta do cenário internacional. Seu primeiro CD foi o mais vendido no Brasil em 2003 e abriu caminho para que em 2004 conquistasse o Grammy Latino como a maior revelação e a melhor intérprete da MPB dos últimos tempos. O CD traz músicas de Milton, Zélia Duncan, Lenine e Rita Lee entre outros. Todas com o toque especial da interpretação que Maria Rita reservou para sua estréia. E seus fãs ganharam um belo exemplar da música brasileira.

Ela se diz tímida, mas quando sobe ao palco o talento fala mais alto e parece estar tomada por alguma entidade. A mesma que deve ordenar aos seus lábios e à sua garganta: cante! Não satisfeita, ordena-lhe: dance! A sensualidade aflora numa combinação de expressão corporal espontânea magnetizando o público com seus encantos. Maria Rita no palco não tem pra mais ninguém. Sua comunicação com o público não é a de uma principiante. É própria dos veteranos que já têm familiaridade com a fama. Sorte dos que puderam testemunhar isso na sua primeira apresentação aqui no sul da Flórida. O show do dia 13, no teatro Manuel Artime em Miami fez parte da série de eventos do projeto TAM. O aconchego do teatro privilegiou a apresentação que acabou tendo um toque intimista e o público respondeu à presença de Maria Rita com o carinho que ela merece.

Paulistana de nascimento, Maria Rita cresceu em São Paulo e depois veio estudar em Nova Iorque onde se especializou em Estudos Latinos Americanos. Depois de diplomada, questionava se devia cantar. O talento brasileiro para a música já estava latente e o Brasil ganhou sem dúvida mais uma intérprete à altura da nossa música. Uma menina de 28 anos, que é também uma mulher linda e decidida ao soltar a voz e mostrar que sabe o que está fazendo. Sua graça está no conjunto todo. Especialmente na singeleza de sua humildade, quando ao abrir o show num inglês perfeito pediu licença ao público para se comunicar na língua local. Teve toda com o respeito e o aval do público.

Dizer que ela não lembra a mãe é negar o inegável, ou renegar a própria genética. Ela é Elis sim, de vez em quando. Como poderia não ser? No timbre da voz, num gesto, nas caras e bocas, nos trejeitos, na mesma molecagem brejeira que fazia da mãe a pimentinha adorável que o Brasil continua amando. Mas, Maria Rita tem luz própria e uma grande carga musical no DNA. Uma combinação explosiva: talento e voracidade para a música. Tem vontade de produzir e produz. Som da melhor qualidade. E, acima de tudo comunica a que veio com a maior naturalidade. What’s not to like?

O próximo CD no qual já está trabalhando, anunciou que será produzido por Lenine, de quem é fã de carteirinha. Enquanto isso o público aguarda ansioso por mais este presente.

A interpretação de “Encontros e Despedidas”, foi o ponto alto, quando ao encerrar o show despediu-se ao som de Milton.

Emocionado, o público reagiu e cantou junto. Humildemente, Maria Rita dividiu com os fãs esse momento especial, para depois engasgar de emoção quando o teatro todo em pé saudou a deusa com o “frenesi” próprio de brasileiro. Agradeceu a calorosa recepção e a pedidos soltou mais uma vez a voz.

Thanks Maria Rita!