Diretor da CIA critica duramente Trump por comentários sobre as agências de inteligência americanas

John Brennan considerou "um ultraje" a comparação que o presidente eleito fez entre as agências de informação e a Alemanha nazista

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Brennan: "Trump precisa entender que isso diz mais respeito aos Estados Unidos da América e à nossa segurança nacional que a ele"

Colocando mais lenha na fogueira acesa pela rixa entre Trump e as agências de inteligência americanas, o diretor da CIA, John Brennan, criticou duramente o presidente eleito por comparar os serviços de espionagem americanos com a Alemanha nazista e sugeriu que ele levasse mais a sério os problemas de segurança que ameaçam a nação.

“Acho que Mr. Trump precisa entender que isso diz mais respeito aos Estados Unidos da América e à nossa segurança nacional que a ele”, disse Brannon em entrevista à Fox News neste domingo.

“E ele tem que assumir que agora ele terá a oportunidade de fazer alguma coisa pela segurança nacional, em vez de apenas falar e tuitar; era terá a tremenda responsabilidade de assegurar que os interesses nacionais dos Estados Unidos estejam protegidos e avançados.”

Não é o caso quando se fala na Rússia, diz Brennan.

“Acho que ele não possui uma noção completa das capacidades da Rússia, suas intenções e ações que aquele país está executando em várias partes do mundo”, disse o diretor.

Também são preocupantes, ele disse, as pistas que ele tem dado em recentes entrevistas de que pode acabar com sanções impostas à Rússia no mês passado, depois que ficou clara a interferência nas eleições.

“Acho que ele precisa reconhecer que ainda não tem total compreensão das implicações que estarão pela frente, assim como ter certeza de entender o que está fazendo”, disse Brennan.

A rixa entre Trump e as serviços de inteligência que reúnem informações das quais a segurança do país vai depender durante o seu governo tem aumentado nos últimos dias.

O presidente eleito revoltou a comunidade de informação ao duvidar das conclusões de que a Rússia estaria por trás do hackeamento e outras manipulações no sentido de prejudicar a sua rival na eleição, Hillary Clinton.

Durante uma entrevista na semana passada, Trump reconheceu que a Rússia provavelmente estaria por trás das atividades. Mas afirmou que a divulgação de informações comprometedoras sobre eram “uma desgraça, uma coisa que a Alemanha nazista faria e fez.”

Brennan disse que isso era um “ultraje” Trump “comparar os serviços de informação com a Alemanha nazista.”

O diretor da CIA, um veterano funcionário da segurança nacional, disse que a comunidade de informações “não tem interesse” em minar Trump e sua equipe, e que as denúncias públicas do presidente eleito contra as agências traz problemas.

“O mundo está vendo o que Mr. Trump diz, e ouvindo cuidadosamente”, disse Brennan à Fox. “Se ele não tiver confiança na comunidade de informações, que sinal isso passará para os nossos parceiros e aliados, assim como nossos adversários?”

“Acho que Mr. Trump tem de ser muito orientado sobre o que ele diz em público. Em poucos dias, ele será a pessoa mais poderosa do mundo ao assumir o governo dos Estados Unidos, e eu acho que ele tem de saber que suas palavras têm um impacto. E esse impacto pode ser muito positivo ou pode causar danos à nossa segurança nacional.”

O diretor da Central de Inteligência recusou-se a afirmar se os agentes recolheram ou não informações sobre contatos entre assistentes de Trump e os russos envolvidos no hackeamento. A equipe de Trump nega a alegação.