Dólar chega a R$ 3.60 e atinge maior valor em dois anos

Tensões com o Irã e cenário internacional turbulento forçaram a alta, dizem especialistas

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Dólar chegou a R$ 3.60 (Foto: REUTERS)
Dólar chegou a R$ 3.60 (Foto: REUTERS)

O dólar fechou em alta na quarta-feira (9), após chegar ao patamar de R$ 3,60 pela primeira vez em quase dois anos. O cenário externo ainda pesa sobre os mercados diante de temores de juros maiores nos Estados Unidos e tensões geopolíticas envolvendo o país e o Irã. As informações são do G1 e da Reuters.

O dólar subiu 0,69% sobre o real, vendida a R$ 3,5951. Este é o maior valor desde o dia 31 de maio de 2016, quando o dólar terminou o dia vendida a R$ 3,6142. Na máxima da semana, o valor foi a R$ 3,6096. Já dólar turismo terminou o dia perto de R$ 3,75, após chegar a R$ 3,77 mais cedo.

Entre as razões da alta apontadas por especialistas estão o fato de Donald Trump ter retirado os Estados Unidos do acordo nuclear com o Irã e anunciou sanções econômicas ao país. Isso alimentou temores de que a produção e exportação de petróleo iraniano sejam afetadas, o que elevaria os preços da commodity.

O mercado monitora pistas sobre o rumo dos juros nos Estados Unidos porque, com taxas mais altas, o país se tornaria mais atraente para investimentos aplicados atualmente em outros mercados, como o Brasil, motivando assim uma tendência de alta do dólar em relação ao real.

Os preços do petróleo avançavam cerca de 3% nesta manhã, acima de $70,98 por barril, perto das máximas do fim de 2014.

Ao mesmo tempo em que há temores de que o Fed eleve ainda mais os juros nos EUA, há expectativa de que o Banco Central brasileiro reduza a taxa básica de juros, a Selic, na próxima semana para nova mínima histórica, a 6,25% ao ano.

Com uma diferença maior entre as taxas, os investidores tendem a migrar para os Estados Unidos, atrás de rendimentos com baixíssimo risco.

“Acredito que se a moeda furar R$ 3,60, o BC voltará a atuar, porque se trata de um movimento especulativo”, afirmou à Reuters o gerente de câmbio do grupo Ourominas, Mauriciano Cavalcante, referindo-se à possibilidade de o Banco Central interferir com mais força no mercado de câmbio para tentar frear a alta do dólar.

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, explicou que a alta do dólar é um movimento global e não exclusivo ao Brasil, mas garantiu que o banco está monitorando o mercado para seu bom fundamento e intervirá quando necessário.