Em meio à pandemia, festas e eventos sociais explodem no Sul da Flórida

Enquanto eventos comemorativos promovem aglomerações, cresce o número de jovens internados por Covid-19 nos hospitais da região

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No fim de semana de 4 de julho, policiais de Broward receberam 170 chamadas (Foto: Flickr)
No fim de semana de 4 de julho, policiais de Broward receberam 170 chamadas (Foto: Flickr)

Um levantamento feito pelo jornal Sun-Sentinel com base em registos policiais revelou que, apesar do crescente número de doentes por Covid-19 no Sul da Flórida, as festas com grandes e médios grupos de pessoas continuam a todo o vapor. A pesquisa analisou a ocorrências de festas nos últimos três meses.

Em maio, os policiais foram chamados por vizinhos de uma festa que reunia cerca de 50 adolescentes em Royal Palm Beach.  O homem que abriu a porta se recusou a deixar a polícia entrar e foi preso. A polícia encerrou a festa. 

Em junho, o Departamento policial de Miami recebeu 11 ligações apenas em uma noite denunciando festas com grandes aglomerações.  Uma das festas ocorreu em uma mansão à beira-mar avaliada em $6 milhões de dólares. O local foi visitado quatro vezes pelos agentes.

No fim de semana do quatro de julho, as comemorações grandes e barulhentas explodiram no condado de Broward e os policiais receberam 170 telefonemas sobre festas e reuniões muito grandes ou barulhentas, entre 1º a 6 de julho. Em Fort Lauderdale, uma festa na rua com mais de cem pessoas acabou em tiroteio e morte no último final de semana.

O prefeito de Miami-Dade, Carlos Gimenez, disse que os foliões tem grande responsabilidade na expansão dos casos de coronavírus na região. “Vimos um rápido aumento de jovens … sendo positivos para o COVID-19 por volta de meados de junho”, disse ele ao canal CBS “Face The Nation”. 

A média de idade das pessoas infectadas pelo vírus na Flórida passou de 65 no início de março para 39, segundo o Departamento de Saúde dao Estados.

Em Broward uma das medidas adotadas para frear os eventos foi restringir a ocupação de imóveis para aluguel por temporadas apenas às pessoas que os alugaram. Sendo proibido visitantes.

“Os jovens pensam que são invencíveis, que o vírus não os mata, porque a mortalidade pra eles é super baixa”, diz Eric Knott, especalista em doenças pulmonares que atua na linha de frente do tratamento de pacientes com coronavírus. “Mas isso pressupõe que temos recursos. Assim que os números aumentam, mas não temos oxigênio suficiente para fornecer aos pacientes de 25 anos, a taxa de mortalidade para esse grupo aumenta também. Em pouco tempo, esse argumento da taxa de mortalidade sairá pela janela “, analisa o especialista.

Mudança no perfil de internações por Covid-19

Semana passada, o governador Ron DeSantis anunciou reforço na equipe médica e em leitos de UTI’s em Miami, revelando que a rede hoteleira atende no limite de sua capacidade de terapia intensiva.

Nesta terça-feira, em entrevista a agência de comunicação America Public Media, o diretor do Jackson Memorial Hospital em Miami, dr. David J. De La Zerda, disse que sua principal preocupação é a mudança no perfil dos pacientes – e a gravidade de seus casos.

“Sim, são pacientes mais jovens. A média de idade que era em torno de 65 anos. Agora, é de 25 a 35, 45 anos” disse. “Essa é uma grande mudança. Pacientes muito mais jovens, praticamente saudáveis. Sem um histórico médico importante”, acrescentou.

O médico fez um alerta à comunidade em geral para seguir as orientações das autoridades públicas de saúde como usar máscaras, manter distância social e evitar locais cheios e fechados. 

“Os últimos meses estão sendo realmente difíceis para todos os profissionais de saúde daqui. … É um grande custo para nossas famílias. Não vejo meus filhos com tanta frequência. O desgaste que vemos em nossas UTIs é alto. Alem disso, tem também a frustração de ver a comunidade não fazendo sua parte”.