Enviado dos EUA ao Haiti renuncia por ações ‘desumanas’ tomadas por Washington

A renúncia ocorre em um momento bastante controverso da administração de Joe Biden

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Imigrantes debaixo da Ponte Internacional Del Rio enquanto esperam para se entregar à Patrulha de Fronteira dos EUA e pedir asilo (Foto: REUTERS/Adrees Latif)
Imigrantes debaixo da Ponte Internacional Del Rio enquanto esperam para se entregar à Patrulha de Fronteira dos EUA e pedir asilo (Foto: REUTERS/Adrees Latif)

DA REDAÇÃO – O enviado especial dos Estados Unidos para o Haiti, Daniel Foote, anunciou sua demissão nesta quinta-feira (23) por não concordar com o “tratamento desumano” dado para os imigrantes haitianos que tentam entrar no território norte-americano.

Em carta enviada ao secretário de Estado, Antony Blinken, Foote afirmou que não quer ser associado “com as decisões desumanas e contraproducentes” tomadas por Washington para “repatriar milhares de refugiados e imigrantes ilegais haitianos para o Haiti, país onde os funcionários norte-americanos precisam ficar confinados em complexos protegidos por conta do perigo provocado por gangues armadas”.

Ainda conforme o representante, a ilha “está afundada na pobreza e refém do terror” e ele não pode aceitar a repatriação de milhares de imigrantes que retornarão sem comida, casa ou dinheiro, em uma tragédia humana evitável. “Mais refugiados irão alimentar ainda mais o desespero e o crime”, acrescentou.

A renúncia ocorre em um momento bastante controverso da administração de Joe Biden que, desde a última semana, começou a fretar voos de repatriação com milhares de haitianos que foram presos na fronteira com o México ao tentar entrar ilegalmente nos EUA.

Além disso, imagens divulgadas pela mídia norte-americana mostram que agentes do Texas chegaram a usar chicotes contra pessoas que tentavam fazer a travessia. Estima-se que entre 10 e 13 mil haitianos estejam no local.