Especialistas explicam razões da morte de Tarcísio Meira por covid mesmo depois de vacinado

Agravamento da doença tem a ver com o envelhecimento do sistema imunológico; pesquisa mostra que pessoas completamente vacinadas com casos graves de covid são na maioria idosas

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A morte do ator Tarcísio Meira por complicações da covid-19, mesmo já tendo tomado as duas doses da vacina contra a doença, gerou muitas dúvidas sobre a eficácia dos imunizantes.

De acordo com especialistas, Tarcísio Meira tinha 85 anos e estava em uma faixa etária em que há a chamada imunossenescência, que é o envelhecimento do sistema imune, responsável pelo combate às doenças no corpo humano.

“Existe uma tendência de queda de anticorpos produzidos pela vacina de acordo com o tempo. Isso para todos, mas com maior intensidade pelos idosos, que tem essa questão da imunossenescência. Ou seja, eles respondem menos à vacina e a tendência, diante dessa resposta imune menor, seria um impacto na proteção (contra a covid-19)”, explica ao jornal O Globo, o pesquisador Julio Croda, da Fundação Oswaldo Cruz e da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul.

Um estudo da Info Tracker, plataforma de monitoramento da pandemia da USP (Universidade de São Paulo) e da Unesp (Universidade Estadual Paulista), mostra que pessoas completamente vacinadas representaram somente 3,68% das mortes por covid-19 que ocorreram no Brasil entre 28 de fevereiro e 27 de julho.

Entre os imunizados, os idosos com mais de 70 anos, como Tarcísio Meira, são as principais vítimas, diz a pesquisa: dos 9.878 mortos completamente vacinados, 8.734 tinham mais de 70 anos.

Casos assim são esperados, mas pouco comuns. Eles podem acontecer independentemente da marca do imunizante que a pessoa recebeu e não significam que as vacinas não funcionam. “A grande maioria das pessoas que tomam as vacinas poderão evitar formas graves da doença, internações e mortes. Infelizmente, haverá uma pequena parte da população que não ficará protegida, e isso vale para qualquer vacina, para qualquer doença, independente do fabricante”, explica o médico Leonardo Weissmann, médico infectologista do Instituto Emílio Ribas e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia. (Com informações do UOL e G1)