EUA autorizam permanentemente o envio de pílulas abortivas pelo correio

Medicamento que só podia ser entregue pessoalmente agora poderá ser enviado por correspondência

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Manifestantes protestam contra restrições ao aborto no Mississipi (foto: Reuters)

O Food and Drug Administration (FDA) decidiu na quinta-feira (16) que a pílula abortiva poderá ser prescrita por um médico à distância e enviada por correio nos EUA. Anteriormente, o remédio só podia ser entregue pessoalmente às mulheres.  A mudança busca aumentar o acesso ao medicamento, especialmente para aquelas que vivem em áreas remotas ou rurais do país. 

No início da pandemia de covid-19, a exigência de entrega da pílula apenas pessoalmente foi temporariamente suspensa. A decisão de tornar essa regra permanente acontece em um momento de profunda polarização entre estados conservadores e liberais sobre o assunto. Em pelo menos 19 estados liderados por republicanos, como Texas e Flórida, por exemplo, as consultas online para interrupção da gravidez  são proibidas.

A temática dos direitos reprodutivos também está em pauta na Suprema Corte americana que está avaliando uma lei do Mississipi que proíbe o aborto depois da 15ª semana de gravidez. Se aprovada, a legislação terá impacto nacional porque contraria o entendimento firmado na jurisprudência Roe vs. Wade, de 1973, que autorizou o aborto nos EUA até a 24ª semana de gestação.

O FDA não emitiu uma declaração formal sobre a nova medida, mas atualizou sua página na internet com informações sobre o uso da pílula abortiva Mifeprex. Além disso, enviou cartas comunicando a decisão às empresas que produzem o medicamento e a um grupos médicos que havia entrado com ações judiciais por causa da exigência.