Ex-deputado federal Roberto Jefferson atira em policiais e é preso no Rio de Janeiro

Depois de resistir à ordem de prisão, o ex-parlamentar do PTB se rendeu à Polícia Federal

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O ex-deputado Roberto Jefferson atacou carro da Polícia Federal com tiros de fuzil. Foto: Reprodução Twitter

Roberto Jefferson, presidente de honra do PTB e ex-deputado federal pelo Rio de Janeiro, foi preso na noite de domingo (23) depois de receber a Polícia Federal com tiros de fuzil e granada de efeito moral. Os agentes foram à casa do político com uma ordem de prisão expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ao ver os policiais pela câmera de segurança, Roberto Jefferson abriu fogo contra o carro da polícia. Os estilhaços atingiram a agente Karina Oliveira e o delegado Marcelo Vilella, que foram levados ao pronto-socorro.

Enquanto resistia à prisão, o ex-deputado gravou um vídeo em que dizia: “Eu não vou me entregar. Chega, já cansei de ser vítima de arbítrio e de abuso, infelizmente. Eu vou enfrentá-los”. Em outro vídeo, ele diz que não atirou em direção aos policiais:

Roberto Jefferson foi condenado, em 2012, no julgamento do Mensalão. À época, o ex-parlamentar deveria responder a sete anos e 14 dias de prisão — mas, em 2016, recebeu perdão judicial do ministro Luís Roberto Barroso, do STF.

Desde janeiro de 2022, Jefferson cumpre prisão domiciliar e é investigado pelo STF no inquérito das mílicias digitais, sob acusação de fazer parte de uma organização criminosa que tem como objetivo “desestabilizar as instituições republicanas”. A prisão preventiva dele foi decretada em agosto de 2021 por determinação do relator do caso, o ministro Alexandre de Moraes. 

Em janeiro, Moraes concedeu a Jefferson, por motivos de saúde, o direito de cumprir prisão em regime domiciliar com tornozeleira eletrônica. Na época, o ministro do STF advertiu que uma das condições para o benefício da prisão domiciliar era de que Jefferson não fizesse postagens na internet. O ministro também havia determinado a suspensão de “todos os portes de arma em nome de Roberto Jefferson”. Por ser inscrito como Colecionador, Atirador desportivo e Caçador (CAC), Jefferson tinha, em sua residência, 13 armas de fogo.

No sábado (22), Roberto Jefferson, descumprindo a ordem de ficar longe das redes sociais, divulgou um vídeo ofendendo a ministra Carmen Lúcia, chamando a magistrada de “Bruxa de Blair”, “vagabunda”, entre outros xingamentos. No vídeo, o ex-parlamentar criticou a posição da ministra que afirmou ser “contra a censura”, mas deu voto favorável para barrar a exibição de um documentário da produtora Brasil Paralelo, ao lado de outras emissoras. A medida veio a pedido do PT ao TSE contra um suposto “ecossistema de desinformação” com o objetivo de influenciar o processo eleitoral.

Candidato à reeleição apoiado por Jefferson, Jair Bolsonaro (PL) fez um pronunciamento na tarde de domingo, dizendo: “Repudio as falas do Sr. Roberto Jefferson contra a Ministra Carmen Lúcia e sua ação armada contra agentes da PF, bem como a existência de inquéritos sem nenhum respaldo na Constituição e sem a atuação do MP”. Após a prisão de Jefferson, o presidente declarou: “Como determinei ao Ministro da Justiça Anderson Torres, Roberto Jefferson acaba de ser preso. O tratamento dispensado a quem atira em policial é o de bandido. Presto minha solidariedade aos policiais feridos no episódio”, disse. 

Já o candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em coletiva de imprensa, em São Paulo, disse que Roberto Jefferson faz parte de uma “parcela raivosa da sociedade” criada por Jair Bolsonaro. “Já disputamos tantas eleições neste país e nunca vimos uma aberração dessa, uma cretinice dessa, que esse cidadão, que é o meu adversário, estabeleceu no país. Ele conseguiu criar neste país uma parcela da sociedade brasileira raivosa, com ódio, mentirosa, que espalha fake news o dia inteiro, sem se importar se o seu filho está vendo ou não. É um desrespeito com a população. Isso gera comportamentos como o do ex-deputado Roberto Jefferson e de outras pessoas que seguem nosso adversário”, declarou.

​​Alexandre Moraes afirma que a conduta de Jefferson no domingo pode configurar novos crimes, como “calúnia, difamação, injúria, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e incitar publicamente animosidade entre as Forças Armadas, ou delas contra os poderes constitucionais, as instituições civis ou a sociedade, além da questão discriminatória presente no vídeo”. Roberto Jefferson também terá de explicar como conseguiu as armas de fogo usadas para atacar os policiais federais.