Ex-funcionária do USPS é acusada de destruir documentos de imigração desde 2017

Até o momento, 181 pessoas tiveram seus documentos destruídos, segundo os promotores federais que acompanham o caso. A grande maioria das vítimas são imigrantes da área de Utah e Nevada.

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documentos de imigração enviados através da agência em que ela trabalhava, em Salt Lake City.
Documentos enviados através da USPS em Salt Lake City, Utah, foram supostamente destruídos (foto: Wikimedia)

Uma ex-funcionário do United States Postal Services (USPS),  está sendo acusada de destruir, intencionalmente, documentos de imigração enviados através da agência em que ela trabalhava, em Salt Lake City, Utah.

Até o momento,  181 pessoas tiveram seus documentos destruídos, segundo os promotores federais que acompanham o caso. A grande maioria das vítimas são imigrantes da área de Utah e Nevada.

Diana Molyneux, de 77 anos, moradora de West Jordan, foi identificada como possível responsável pelo sumiço dos documentos. Ela foi demitida no final de 2019, quando as investigações começaram.

As suspeitas chegaram até ela quando a advogada Eloisa Mendoza, proprietária da Elko Hispanic Services and Translations, observou que dezenas de processos dos seus clientes como Green Card, DACA e permissões de trabalho estavam demorando até um ano além do prazo regular para serem entregues. 

“Sempre que a correspondência de um cliente tinha um número de rastreamento, parecia que os documentos ficavam presos em Salt Lake City”, disse Eloisa à Fox News.  “

Ela contou que entrou em contato com outros escritórios de imigração da região para conferir se também estavam vivenciando os atrasos, e descobriu que alguns atrasos passavam de dois anos.

“Uma permissão de trabalho leva de 6 a 9 meses para ser emitida depois que o processo é aprovado. Não faz sentido dois anos. Pessoalmente, acho que ela sabia o que havia nesses envelopes”, completou.

A advogada disse ainda que foi até a USPS e também notificou a US. Citizenship and Immigration Services (USCIS), mas não houve encaminhamentos. Foi então, que decidiu entrar em contato com a senadora Catherine Cortez Masto, para sinalizar a situação. A partir daí, iniciou-se uma investigação.

O caso está agora sendo cuidado pelo The United States Attorney’s Office do distrito de Utah,  e eles estão encorajando qualquer imigrante que tenha perdido documentos pela via postal que denuncie o caso no órgão.

Não está claro se a motivação para os crimes supostamente cometidos pela ex-funcionária do USPS foi racismo. 

Entretanto,  em nota escrita à mão e enviada à Corte onde irão ocorrer as audiências de julgamento, a acusada questiona as qualificações do advogado de defesa, Carlos Garcia, indicado para acompanha-la no caso.

“O inglês é a segunda língua do advogado e estou tendo dificuldades em  me comunicar com ele. A questão é sobre documentos de imigração sendo destruídos. Estes documentos têm a ver com seus familiares, amigos, parentes – pessoas. Isto é um conflito de interesses”, escreveu.

Diana K. Molyneux foi indiciada por um grande júri em 2019 por duas acusações:  destruição e atraso de correspondência. 

A data da próximo audiência ainda não foi anunciada devido à pandemia de covid-19.

O crime de atraso ou destruição de correspondências por parte de funcionários dos serviços postais está  previsto no capítulo 18, Seção 1703 do Código Penal dos Estados Unidos, e é punível com multa e/ou prisão de até cinco anos.