Federação de futebol dos EUA oferece equiparação salarial às seleções feminina e masculina

Decisão representa uma vitória para o time feminino que chegou a processar a U.S. Soccer Federation em 2019 por causa da diferença de remuneração e outras condições de trabalho

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Capitã da seleção dos EUA, Megan Rapinoe, levanta a taça após vencer a Holanda na final da Copa do Mundo da França em 2019 (foto: U.S. Soccer Federation)

A  U.S. Soccer Federation deu um importante passo nesta terça-feira (14), em direção à igualdade salarial para as seleções masculinas e femininas de futebol dos EUA.

A instituição anunciou que está oferecendo aos sindicatos dos jogadores e das jogadoras uma proposta idêntica de acordo coletivo de trabalho, que envolve o mesmo padrão de remuneração para as duas equipes.

A seleção feminina de futebol dos EUA é considerada a melhor do mundo, tendo vencido quatro mundiais e faturado quatro medalhas de ouro em Olimpíadas.

Apesar disso, a luta das meninas pela equiparação salarial é longa. Em 2019, ano em que foi campeã da Copa do Mundo da França, o USWNT (United States Women National Team), processou a federação alegando discriminação de gênero devido à diferença de pagamentos e outras condições de trabalho como licenças maternidade e gravidez.

Em um evento na Casa Branca, a capitã do time, Megan Rapinoe, que já foi eleita a melhor do mundo, criticou publicamente o sistema de remuneração. “Enchemos estádios, batemos recordes de audiência, esgotamos a venda de camisetas e ainda somos subjugadas”, disse Rapinoe na época.

No processo de 2019, as mulheres pediram mais de $64 milhões em danos e quase $3 milhões em juros, de acordo com a Equal Pay Act e com o Civil Rights Act, duas legislações americanas da década de 1960. Elas perderam a ação por um decisão do juiz Gary Klausner, de Los Angeles (CA).

Em 2021, foram eliminadas nas semifinais dos Jogos Olímpicos de Tokyo. A esperança, agora, é que a decisão da U.S. Soccer retome o fôlego do time após a temporada ruim deste ano.

“A US Soccer acredita verdadeiramente que o melhor caminho a seguir é uma estrutura única de pagamento para as duas seleções nacionais. Não vamos aceitar um acordo coletivo que não dê um passo para igualar os ganhos dos Mundiais da FIFA entre jogadores e jogadoras”, disse a instituição em comunicado.

De acordo com o jornal The Guardian, as mulheres dividiram um prêmio de $ 2,53 milhões para vencer o mundial da França de 2019, enquanto a seleção masculina faturou $ 4,3 milhões por ganhar quatro pontos na fase de grupos e chegar à fase eliminatória da Copa do Mundo de 2014.

A seleção masculina de futebol dos EUA ainda não se pronunciou sobre o assunto.