O governo dos Estados Unidos aumentou de forma expressiva o número de ações para tentar retirar a cidadania americana de pessoas naturalizadas, e a Flórida aparece no centro desse movimento.
Dados da Transactional Records Access Clearinghouse (TRAC), da Syracuse University, mostram que pelo menos 105 ações civis de desnaturização foram abertas entre janeiro e julho deste ano. Só em julho foram 50. A Flórida liderou o país, com 19 processos, seguida por Texas e Maryland, com 10 cada.
O salto chama atenção quando comparado aos anos anteriores. Entre 2008 e 2025, a TRAC havia identificado cerca de 125 ações desse tipo em todo o país. Em apenas sete meses deste ano, foram pelo menos 105.
O Departamento de Justiça também confirma a escalada: foram 123 ações civis apresentadas desde janeiro de 2025, o maior número já registrado pelo órgão.
Um dos casos já concluídos aconteceu no sul da Flórida. A Justiça Federal revogou a cidadania de Joff Stenn Wroy Philossaint, de Fort Lauderdale. Segundo o Departamento de Justiça, ele fez declarações falsas durante o processo de naturalização ao ocultar sua participação em um esquema que, junto com outros envolvidos, obteve cerca de US$ 3,8 milhões de programas de ajuda da pandemia.
A abertura de uma ação, porém, não significa perda automática da cidadania. A desnaturização passa pela Justiça e pode ocorrer quando o governo demonstra que a naturalização foi obtida ilegalmente, por fraude, ocultação de informações relevantes ou declarações falsas.