Fotos de Melania Trump nua geram suspeita sobre sua imigração para os EUA, diz Politico

Mulher do candidato Republicano à presidência teria chegado em New York em 1995, antes do declarado pela campanha de Trump, que tem a imigração ilegal como principal plataforma

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Fotos eróticas de Melania Trump teriam sido tiradas em 1995 (New York Post/Alé de Basseville)

As fotos de Melania Trump nua publicadas no tabloide novaiorquino New York Post levantaram suspeitas sobre a trajetória imigratória da possível futura primeira-dama americana, nascida na Eslovênia e naturalizada cidadã americana, publicou o noticioso Politico.

O candidato Republicano à presidência, Donald Trump, diz que a mulher chegou legalmente aos Estados Unidos e que ela desembarcou em New York em 1996, mas as fotos de nu publicadas no Post são de 1995. Uma biografia de Melania lançada por jornalistas eslovenos em fevereiro também diz que ela chegou aos EUA em 1995 e o relato dela sobre o caso sugere que ela tenha vindo pela primeira vez ao país com um visto de turista, o que não a autorizaria trabalhar como modelo.

As inconsistências vieram junto com denúncias da CBS e da GQ Magazine de que Trump teria mentido ao dizer que tinha formação universitária na Eslovênia, o que não foi confirmado por ela mesma. O questionamento imigratório, entretanto, pode causar problemas para o candidato Republicano, já que o combate à imigração ilegal é uma das plataformas principais da campanha de Trump.

Representantes da campanha não deram detalhes sobre as circunstâncias da chegada de Melania ao país, informou o Politico. Mas a porta-voz da campanha, Hope Hicks, respondeu emails sobre o assunto afirmando que “Melania seguiu todas as leis aplicáveis e agora é uma orgulhosa cidadã dos Estados Unidos.”

Em nota divulgada depois que o Politico publicou a reportagem, a mulher de Trump reiterou que “durante o tempo todo estive em acordo com as leis imigratórias deste país.” Mas a nota não responde aos questionamentos sobre reportagens e fotografias suas realizadas nos EUA em 1995, assim como diversas declarações dela anteriores, dizendo que voltava à Europa regularmente para renovar seu visto.

De acordo com alguns especialistas em imigração, as declarações de Melania sugerem que ela pode não ter seguido as leis devidamente, diz o Politico.

Em uma reportagem publicada na revista Harper’s Bazaar, em janeiro, Melania disse que sempre voltava à Eslovênia depois de alguns meses para renovar seu visto. “Nunca me passou pela cabeça ficar aqui sem papeis. É assim que eu sou,” disse. “Você tem que seguir as regras, a lei. Depois de alguns meses é preciso voar de volta à Europa para carimbar o visto. Depois de alguns vistos, ‘apliquei’ para um green card e o obtive em 2001.”

A campanha de Trump não comentou sobre o tipo de visto com o qual Melania entrou pela primeira vez no país, mas numa entrevista concedida à revista DuJour ela teria admitido que chegou com um visto de trabalho H-1B. O jornalista que a entrevistou, Mickey Rapkin, disse que quando entrevistou Melania “mencionei que ela chegou em New York com um visto H-1B e ela assentiu concordando,” escreveu Rapkin ao Politico.

A história de que ela precisava voltar à Europa para renovar o visto é inconsistente com a posse do visto H-1B enquanto ela morava em New York, dizem especialistas em imigração. O visto H-1B é válido por três anos e pode ser estendido por até seis anos – às vezes mais do que isso – e não requer renovações no exterior a cada alguns meses, como ela disse que fazia. Se ela, como afirma, chegou em New York em 1996 e obteve o green card em 2001 não seria necessário ir à Europa para renovar o H-1B, dizem os especialistas ao Politico.

A versão de Melania bate mais com as necessidades de quem possui um visto B-1, para visitante temporário a negócios, ou B-2, de turista, que tipicamente valem por seis meses e não permitem o trabalho nos EUA.

“Se alguém quiser entrar nos EUA com um visto desses com a intenção de trabalhar, isso constitui fraude,” disse ao Politico o advogado de imigração Andrew Greenfield.

Uma fraude na obtenção do visto imediatamente traz problemas para a obtenção do green card e da subsequente cidadania, dizem os advogados de imigração. Isso traz questionamentos a respeito da situação legal de Melania Trump, mesmo hoje, casada com um cidadão americano.

Melania diz que chegou em New York em 1996, mas diversas reportagens indicam que ela fez alguns trabalhos na cidade em 1995. Seu website pessoal foi retirado do ar no mês passado, depois de denúncias a respeito de uma alegação de que ela teria formação superior, o que seria falso. Mas, de acordo com ” Melania Trump: The Inside Story”, uma biografia publicada em fevereiro por dois autores eslovenos, Bojan Pozar e Igor Omerza, “Trump começou a viajar para os EUA em 1995.” O livro também afirma que ela se encontrou com uma amiga, a também modelo Edit Molnar, “em New York, na metade de 1995.”

“Em 1995 ela começou a viajar para os EUA, de acordo com os trabalhos que estava tendo nas agências de modelos, ” escreveu Pozar em email ao Politico.

As datas conferem com a reportagem do New York Post. As fotos de nus foram tiradas em New York, em 1995, para a edição de janeiro de 1996 da revista francesa Max Magazine, que já fechou, segundo o tabloide novaiorquino.

Para poder fazer legalmente o ensaio fotográfico de 1995, Melania teria de ser portadora de um visto de trabalho, de preferência um H-1B, mesmo que não estivesse morando nos EUA, já que a Eslovênia só entrou no programa de isenção de vistos do Departamento de Estado em 1997.

Mesmo que Melania tenha usado um visto H-1B para trabalhar nos EUA, isso vai de encontro às posições de seu marido. Donald Trump já afirmou que vai combater o uso do H-1B se for presidente. Em março, ele disse que “acabaria para sempre com o uso do H-1B para mão-de-obra barata, e instituir um requerimento absoluto para a contratação de trabalhadores americanos antes de qualquer programa de vistos ou de imigração. Sem exceção.”