Governo americano planeja analisar redes sociais na entrada de viajantes ao país

Segundo o Departamento de Segurança Nacional, a medida tem o objetivo de impedir a entrada de terroristas

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Agentes de imigração checam documentação de estrangeiros
Agentes de imigração checam documentação de estrangeiros

Uma medida um tanto quanto polêmica está aberta para discussão pública até o dia 22 de agosto no site do Departamento de Segurança Nacional (DHS). O governo americano planeja checar os perfis nas redes sociais de estrangeiros que queiram entrar no país. A ideia é combater a entrada de terroristas.

A proposta é que viajantes indiquem suas contas pessoais em Facebook, Twitter e Instagram. As informações contidas nelas poderão ser usadas para que as autoridades avaliem se devem permitir a entrada de pessoas consideradas suspeitas.

A proposta de revisão das regras atuais de admissão de estrangeiros foi elaborada pelo órgão de Proteção Alfandegária e de Fronteiras, o Customs and Border Protection (CBP), ligado ao departamento.

A ideia é incluir um campo adicional de informação a ser preenchido pelos viajantes nos formulários de entrada nos EUA e também nos de saída. O processo já inclui a coleta de impressão digital, entrevista pessoal e a checagem do local de estadia, motivação da viagem, entre outros.

Se a proposta vingar, os estrangeiros terão que preencher o campo “por favor adicionar informações sobre mídias sociais”, em que deverão adicionar as plataformas digitais de que são usuários.

‘Opcional’

“Isso será um campo de dado opcional para solicitar identificadores de rede social a serem usadas com o propósito de vetar [o ingresso dos viajantes]”, explica o CBP na proposta. “Coletar dados de redes sociais garantirá os processos de investigações já existentes e fornecerá ao DHS maior clareza e visibilidade de possíveis atividades e conexões nefastas, pois criará um conjunto adicional ferramenta que analistas e investigadores poderão usar para analisar e investigar melhor o caso.”

O CBP explica que a proposta de alteração foi feita na esteira de uma lei assinada ainda em 2015 pelo presidente Barack Obama. Para evitar a entrada de terroristas ou atos durante viagens, a legislação permitiu o endurecimento da averiguação de informação de pessoas que queiram entrar nos EUA.

O senador republicano Vern Buchanan criticou duramente o fato de a proposta de solicitar essas informações seja voluntária. “Por que um terrorista daria permissão a um agente de imigração de checar suas redes sociais jihadistas? As únicas pessoas que vão dar esse tipo de informação serão as que não têm nada para esconder. O preenchimento tem de ser obrigatório”, disse o senador.

Crédito da imagem: Getty Images