Governo dos EUA suspende voos vindos da Europa a partir desta sexta-feira

Segundo o presidente Donald Trump, objetivo é conter a propagação do coronavírus; restrições não se aplicam ao Reino Unido, a portadores de green card e parentes imediatos de cidadãos americanos

0
965
Trump afirma que objetivo é proteger o emprego dos americanos (Foto Reprodução CNN)

O presidente Donald Trump, em pronunciamento na noite de quarta-feira (11) em rede nacional, anunciou a suspensão de todas as viagens da Europa para os Estados Unidos durante 30 dias como forma de “proteger os americanos” do coronavírus.

A suspensão passará a valer a partir de sexta-feira (13) à meia-noite, mas não terá validade para o Reino Unido, que continuará tendo voos para os Estados Unidos. As restrições também não têm validade para quem tem residência permanente em território americano (green card) e para parentes imediatos de cidadãos americanos.

Os americanos que chegarem aos Estados Unidos da Europa, de acordo com a medida, chegarão por meio de 13 aeroportos e passarão por uma rigorosa inspeção por agentes para checar se eles têm o vírus. “Vamos pedir a essas pessoas que fiquem em casa por 14 dias”, disse o vice-presidente Mike Pence após o pronunciamento.

O presidente destacou que tomou a decisão após consultar autoridades na área de saúde. Ele disse que essas medidas, “fortes, mas necessárias” foram tomadas para proteger a “saúde e o bem-estar de todos os americanos”. “Estamos respondendo com grande rapidez e profissionalismo [à ameaça do coronavírus]”, disse Trump.

Trump  considerou que as medidas vão reduzir a ameaça que o coronavírus representa aos americanos de “forma significativa”.

Ele comparou a decisão de suspender os voos da Europa à restrição que os Estados Unidos fizeram de voos vindos da China e do Irã quando a crise do coronavírus começou. Trump criticou a forma como a Europa agiu e disse que o continente deveria ter tomado medidas similares e, com isso, evitado o crescimento do coronavírus no mundo.

Durante o pronunciamento, de mais de nove minutos, Donald Trump também disse que a crise do coronavírus não é financeira e que vai tomar ações de emergência para ajudar os norte-americanos diagnosticados com o vírus, que estejam em quarentena ou que precisem ficar afastados para cuidar de pessoas infectadas.

O presidente também pediu que o Congresso aprove reduções fiscais com o intuito de ajudar a combater eventuais perdas econômicas que tenham sido causadas pelo vírus.

Países incluídos na medida: Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Islândia, Itália, Letônia, Liechtenstein, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Noruega, Polônia, Portugal, Suécia e Suíça.

Europa desaprova decisão

Os dirigentes da União Europeia (UE) criticaram, nesta quinta-feira (12), a decisão “unilateral” do presidente Donald Trump de proibir o ingresso no país de estrangeiros procedentes da Europa para prevenir a propagação do coronavírus.

“A UE desaprova o fato de que a proibição de viajar tenha sido adotada unilateralmente e sem consulta”, diz uma declaração da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e de seu colega do Conselho Europeu, Charles Michel.

As autoridades europeias indicaram que a UE “está adotando medidas enérgicas para limitar a propagação do vírus” e “uma crise mundial não limitada a nenhum continente que requer cooperação em lugar de uma ação unilateral”.

“O nacionalismo não é a resposta à Covid-19, porque os vírus não se importam com as fronteiras, nem com as nacionalidades”, afirmou o eurodeputado liberal e ex-primeiro-ministro belga Guy Verhofstadt.

Segundo o último balanço da AFP, a Europa somava 22.969 casos do novo coronavírus e 947 mortos.