Hillary Clinton para presidente dos Estados Unidos da América

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Seguindo um saudável e democrático costume da imprensa americana, que não usa subterfúgios para revelar suas preferências e recomendações políticas em época de eleições, o conselho editorial do AcheiUSA Newspaper modestamente segue o exemplo dos maiores jornais americanos, como The New York Times, Los Angeles Times, The Washington Post, San Francisco Chronicle, USA Today, Miami Herald, Sun-Sentinel, entre outros, e recomenda o voto à candidata do Partido Democrata, Hillary Clinton, para presidente dos Estados Unidos da América.

Mrs. Clinton possui ampla experiência político-administrativa – tanto no poder legislativo, como ex-senadora, quanto no executivo, como ex-secretária de Estado – para arcar com a responsabilidade de dirigir com segurança a maior potência econômica e militar do planeta.

Além das credenciais administrativas e políticas que carrega, Mrs. Clinton mostrou ao longo da sua carreira pública um entendimento profundo da complexidade da sociedade americana, seus problemas e diversidades, e atuou sempre no sentido de encontrar soluções conciliatórias e objetivas para as questões políticas mais sensíveis do país, durante mais de 30 anos de trabalho como ativista, parlamentar e funcionária pública.

Sua formação acadêmica como advogada e professora reforça a convicção de que Mrs. Clinton tem educação e estofo cultural imprescindíveis para lidar com a dinâmica de um mundo em constante transformação e evolução, onde a informação e o conhecimento têm papel fundamental.

Complementando essas qualidades, sua vivência como primeira-dama ao lado do marido Bill Clinton – tanto no governo do Arkansas quanto na Casa Branca, durante os dois mandatos de Mr. Clinton como presidente – sugere que com a intimidade conquistada depois de tanto tempo próxima ao poder Mrs. Clinton estará completamente à vontade na cadeira mais poderosa do mundo.

Suas propostas de governo são realistas, coadunam-se com os princípios constitucionais da democracia americana e carregam intenções inclusivas e unificadoras. No único questionamento de sua carreira sobre alguma conduta indevida, a probidade do seu caráter foi confirmada no resultado de uma investigação do FBI sobre o vazamento de e-mails guardados em um servidor instalado na sua casa. O relatório final da investigação isentou Mrs. Clinton de qualquer responsabilidade.

De outra parte, o candidato do Partido Republicano, Donald Trump, não traz em seus antecedentes nenhum preparo, aptidão ou qualidade aparentes para pleitear o cargo.

A única credencial apresentada por ele foi a liderança de um grupo empresarial cuja origem está na fortuna do pai. Sua capacidade administrativa é discutível. Além de vários negócios seus já terem falido, Mr. Trump recusa-se a mostrar sua declaração de imposto de renda, atitude inédita na história das eleições presidenciais americanas. Tal recusa sugere que há algo na declaração que o povo americano não pode ver. Sua justificativa para o ocultamento, de que a declaração está sendo auditada pela receita federal, só levanta mais suspeitas sobre seu conteúdo.

Mr. Trump justifica seus pedidos de falência como um aproveitamento de oportunidades para favorecer suas empresas usando brechas na legislação. Uma justificativa preocupante, quando se pensa nas consequências que podem vir no uso de brechas legais por alguém que venha dividir a presidência do país com a liderança de empresas que usam esse tipo de recurso para se favorecerem.

Além do despreparo pela falta de experiência em administração política, e da questionável capacidade empresarial (seu histórico inclui falências, empreendimentos fracassados e dívidas de mais de meio bilhão de dólares, segundo uma investigação do The New York Times), Mr. Trump mostrou através de inúmeras declarações contraditórias e irresponsáveis que uma eventual presidência sua colocaria em risco a própria segurança dos Estados Unidos. Essa é a opinião de mais de 50 especialistas em segurança nacional, ex-funcionários de agências federais, a maioria deles Republicanos, que escreveram e assinaram uma carta aberta alertando o público sobre o perigo que representaria para a nação uma eventual eleição de Mr. Trump.

Suas declarações sobre imigrantes oriundos de países amigos, como o México, chamados por ele de “estupradores e bandidos”, trouxeram grande embaraço para a diplomacia americana. A admiração de Mr. Trump por políticos externos, como o presidente da Rússia, Vladimir Putin, trouxe preocupação para nossos aliados, sobretudo em um momento de delicado equilíbrio de forças em algumas regiões do mundo sensíveis a conflitos.

Mr. Trump humilhou veteranos de guerra ao questionar o heroísmo do senador Republicano John McCain, capturado e torturado durante a guerra do Vietnã, dizendo que “preferia pessoas que não foram capturadas”, e ainda menosprezou a dor da família de um soldado americano morto na luta contra o terrorismo, atitudes que levantam sérias dúvidas sobre sua capacidade para assumir responsabilidades como comandante em chefe das nossas forças militares.

O candidato Republicano promete emprego para trabalhadores americanos, mas os produtos que levam sua marca são manufaturados na China. Promete mais postos de trabalho no país, mas ficou famoso por conta de um programa de televisão onde seu principal papel era demitir pessoas.

Mr. Trump foi flagrado fazendo comentários depreciativos sobre as mulheres, citando seu poder de celebridade como passaporte para abusos e intimidações. É acusado por várias mulheres de assédio e, embora afirme que “ninguém respeita mais as mulheres do que eu”, chama sua adversária de “mulher nojenta” durante um debate presidencial, em plena rede nacional de televisão.

A proposta de governo de Mr. Trump foi elaborada a partir de princípios divisivos numa nação de grande diversidade, unificada graças a um ideal sólido de democracia. A ideia de deportar 11 milhões de pessoas que vivem irregularmente no país só não é mais irreal para a solução do problema imigratório do que a de construir um muro na fronteira com o México, ao custo de bilhões de dólares, e depois enviar a conta da obra para o México, causando, no mínimo, um incidente diplomático de proporções históricas.

Seu programa de governo não contém propostas concretas ou detalhadas, apenas promessas vagas de que “tudo será consertado”, sem qualquer método ou descrição que expliquem as soluções.

Por fim, sua declaração no último debate de que pode não aceitar o resultado das eleições caso seja derrotado desafia e ameaça a própria democracia americana, cuja estabilidade secular foi o que levou este país à invejável prosperidade que proporciona aos seus cidadãos e à sua indisputável liderança no mundo.

Assim, pelas qualidades demonstradas pela candidata Democrata e pela ausência das mesmas no Republicano, o conselho editorial deste jornal julga que a presidência ocupada por Mrs. Clinton trará muito mais benefício, bem-estar e segurança para o povo americano do que uma de seu adversário, e recomenda aos leitores, cidadãos americanos, natos ou naturalizados, o voto em Hillary Rodham Clinton no dia 8 de novembro.