Homem fica preso 40 anos por triplo assassinato que não cometeu

Kevin Strickland, que é negro, foi condenado por júri totalmente branco em 1979 e única testemunha que disse ter reconhecido o homem na época admitiu estar errada

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Kevin-Strickland foi inocentado do crime de triplo homicídio (Foto Reprodução Fox News)

Um homem de Kansas City foi libertado, nesta terça-feira (24), após ficar preso por mais de 40 anos sob a acusação de triplo homicídio. Kevin Strickland, de 62 anos, sempre disse ser inocente e garantiu estar em casa assistindo TV no horário em que os crimes foram cometidos em 1979. Ele foi condenado por um júri formado por pessoas brancas com base em uma única testemunha que admitiu, anos depois, estar errada.

O juiz James Welsh concedeu a liberdade a Strickland depois de um julgamento que durou três dias.

Welsh escreveu em seu julgamento que “evidências claras e convincentes” foram apresentadas que “minam a confiança do Tribunal no julgamento da condenação”. Ele observou que nenhuma evidência física ligava Strickland à cena do crime e que uma testemunha-chave se retratou antes de sua morte.

“Nessas circunstâncias únicas, a confiança do Tribunal nas condenações de Strickland é tão prejudicada que não pode ser mantida, e o julgamento da condenação deve ser anulado”, escreveu Welsh ao ordenar a libertação imediata de Strickland.

A promotora do condado de Jackson, Jean Peters Baker, que pressionou pela liberdade de Strickland, agiu rapidamente para rejeitar as acusações criminais para que ele pudesse ser libertado.

“Dizer que estamos extremamente satisfeitos e gratos é um eufemismo”, disse ela em um comunicado. “Isso traz justiça – finalmente – a um homem que tanto sofreu tragicamente como resultado dessa condenação injusta”.

O crime

Strickland foi condenado pelas mortes de Larry Ingram, de 21 anos, John Walker, de 20, e Sherrie Black, de 22, em uma casa em Kansas City, Missouri.

As evidências se concentraram principalmente no testemunho de Cynthia Douglas, a única pessoa a sobreviver aos tiroteios de 25 de abril de 1978. Ela inicialmente identificou Strickland como um dos quatro homens que atiraram nas vítimas e testemunhou isso durante seus dois julgamentos. Depois ela se arrependeu e tentou voltar atrás. Cynthia morreu em 2015. (Com informações da AFP)